Rodrigo Nunes
Em 2003 foi a última
vez em que São Joaquim
viu neve mais abundante.

Como uma brincadeira, a neve ainda não apareceu em São Joaquim, aguçando a curiosidade dos turistas que se dirigem à cidade mais fria do Brasil para experimentar um turismo menos comum num país tropical. Situada na serra catarinense, a 230 quilômetros de Florianópolis e a 450 quilômetros de Curitiba, São Joaquim é uma das cidades serranas brasileiras que têm sua economia incrementada nesta época por conta das baixas temperaturas.

Este ano, a previsão da Prefeitura é receber, somente neste mês de julho, de quarenta a cinqüenta mil turistas, incluindo os que visitam a cidade de passagem para outro destino e aqueles que ficam hospedados em seus hotéis e pousadas.

Entre junho e agosto, é comum os termômetros ficarem abaixo de zero grau e a neve pintar de branco as paisagens, conferindo à cidade um ar meio europeu. É a transformação do cenário de campos verdes pontilhados por araucárias e nascentes de água cristalina, que ficam congeladas.

Embora ainda não tenha nevado este ano na pequena cidade de 22,7 mil habitantes da serra catarinense, o inverno já está bastante rigoroso. Semana passada, foi registrada na madrugada de quarta-feira a temperatura de 4,4 graus negativos, congelando uma das árvores da Praça Cesário Amarante, no centro.

Sob o frio intenso, turistas
observam a árvore congelada.

Bosque congelado

Mais alguns dias, dois bosques de árvores estarão congelados. É que, para encher os olhos dos turistas que se dirigem à cidade atraídos pelo diferente turismo de inverno, a Prefeitura está colocando mangueiras que despejam filetes de água em 26 árvores situadas nas praças Cesário Amarante e João Ribeiro.

Com o frio abaixo de zero, elas vão se transformar em grandes esculturas de gelo. ?Fazemos isso para ilustrar o frio aqui em São Joaquim?, explica a diretora de Turismo, Alessandra Koerich de Souza. ?Eles adoram?, complementa.

O secretário da Agricultura, Flares Melo, ressalta que o processo não prejudica as plantas. ?Quando congelamos as plantas estamos automaticamente protegendo-as das queimaduras causadas pelas geadas através da gotas de orvalho congeladas?, explica.

Se o termômetro registra quatro graus negativos, a sensação térmica vai muito mais além, devido ao vento: bate a casa dos vinte graus negativos nas partes mais altas do município e chega a dez negativos na cidade.

Hospedagem e comida amenizam o frio

Termômetro digital mostra
a temperatura abaixo
de zero nas ruas durante o dia.

Embora o frio seja o grande atrativo de São Joaquim, a baixa temperatura é bem-vinda somente do lado de fora, dentro dos hotéis e pousadas, a exigência é por calor e muito aconchego. Por isso, a hotelaria é bem preparada para amenizar as baixas temperaturas. Os hotéis têm sistema de calefação, lareira ou aquecedores elétricos em todos os quartos. Entre as pousadas, muitas oferecem lençóis térmicos para espantar o frio durante a madrugada.

Na luta contra o frio estão também os restaurantes. A grande maioria serve pratos da gastronomia típica do Sul do País. Dentre os quais os mais pedidos estão o arroz a carreteiro e o churrasco, bem calóricos para proteger a temperatura do corpo. O fondue e o café colonial servido no Parque Snow Valle também reúnem os turistas nas tardes e noites de inverno, junto a lareiras. Entre os doces, a torta de maçã é a grande pedida. Além de muito saborosa, ela está presente na maioria dos buffets, lembrando ao turista que, além da cidade mais fria do País, São Joaquim é também a Capital Nacional da Maçã.

O cultivo da fruta é a principal atividade econômica da cidade. A Festa Nacional da Maçã, que acontece anualmente entre abril e maio, também coloca São Joaquim no roteiro turístico de Santa Catarina. E quando a neve é abundante nesta época do ano as macieiras carregadas chamam a atenção dos turistas. Eles não se cansam de fotografar as árvores nevadas para guardar a lembrança dos dois principais atrativos turísticos da cidade mais fria do Brasil.