Ponte suspensa de Clifton, em Bristol.

Seis cidades do Reino Unido foram selecionadas para concorrer ao mais cobiçado prêmio da Europa: o título de Capital Européia da Cultura de 2008. Embora este ano pareça estar muito longe ainda – a primeira capital européia será na Irlanda em 2005, e a nomeação final no Reino Unido para 2008 será anunciada pelo primeiro ministro britânico em maio deste ano – todas as finalistas já são destinos surpreendentemente bons em termos de cultura.

A proliferação de linhas aéreas com preços econômicos também significa que nunca foram tão acessíveis como são agora: o que as torna ideais para pacotes de curta duração ou como uma base para se percorrer outros destinos quando se dispõe de mais tempo.

A transformação que ocorreu nas cidades de Birmingham, Bristol, Cardiff, Liverpool, Oxford e Newcastle-Gateshead foi extraordinária. Todas elas, com a possível exceção de Oxford, foram sempre tradicionalmente consideradas como centros de indústria e comércio em vez de arte e cultura.

O mesmo foi dito de Glasgow, na Escócia, agraciada com o título de Cidade da Cultura em 1990. Porém, as coisas mudaram. Cada uma delas se tornou uma vitrine da cultura, criatividade e transformação.

Relíquias industriais foram transformadas em templos de arte. Uma arquitetura nova e arrebatadora está complementando a antiga. Zonas portuárias elegantes tornaram-se locais para se passear. Há uma energia jovem e vitalidade em todas as partes.

Birmingham

Birmingham, a segunda maior cidade da Inglaterra, 185 quilômetros a noroeste de Londres, passou por uma remodelação projetada por arquitetos ganhadores de prêmios. Possui mais canais do que Veneza, agora à mostra com grande efeito com animados complexos à beira-mar, especialmente em Brindleyplace, com os seus chafarizes e restaurantes elegantes.

É a sede da Orquestra Sinfônica da Cidade de Birmingham (o Symphony Hall é uma das melhores casas de concerto da Europa); balés, teatro, ópera e especialmente galerias de arte. Encontra-se ali também o Museu da Cidade com a sua coleção preeminente de arte pré-rafaelita e, na universidade, a jóia do Barber Institute, pequeno porém repleto de estrelas. Há verdadeiras jóias também no Quarteirão da Joalheria, onde se encontram cem ateliês de designers e um fascinante Centro da Descoberta. Stratford-upon-Avon – centro da terra de Shakespeare – encontra-se pertinho dali.

Liverpool

Liverpool, no noroeste da Inglaterra, é mais conhecida pelo seu futebol e pelos Beatles; o som do Mersey que revolucionou a música popular. A cidade ainda homenageia o grupo com exposições, tours e música ao vivo: o lar onde Paul McCartney passou a sua infância está aberto aos visitantes, sendo que a casa de John Lennon deve ser inaugurada na primavera de 2003.

Mas esta também já foi a mais rica cidade da Inglaterra, com edifícios magníficos que fazem jus à sua reputação, assim como as duas catedrais e o maior bairro chinês da Europa.

À beira do rio Mersey encontram-se as assim chamadas Três Graças: o Porto de Liverpool e os edifícios Liver e Cunard; uma Quarta Graça será adicionada depois de um recente concurso arquitetônico. Próximo dali, os antigos armazéns da Doca de Albert foram transformados em uma coleção de restaurantes, pubs e museus – e a Tate Liverpool, lar da arte moderna no Norte do país.

Newcastle e Gateshead

Do outro lado da costa, a 450 quilômetros de Londres, Newcastle-upon-Tyne e Gateshead são divididas pelo Rio Tyne. A Ponte ?do olho piscante? do Milênio é a mais recente de muitas pontes extraordinárias – assim chamadas porque elas fecham como uma pálpebra para deixar os barcos passarem. O vizinho Centro Báltico de Arte Contemporânea é uma galeria excepcional em um antigo e imenso moinho de farinha. Uma dica é ir ao restaurante no terraço.

Há ainda mais prazeres no Metro Centre, um dos maiores shoppings da Europa, com 350 lojas e na famosa vida noturna de Newcastle -os ?geordies? (como os habitantes locais são chamados) realmente sabem se divertir. O centro urbano georgiano restaurado possui muitos edifícios tombados pelo Patrimônio Histórico: a cidade perde apenas para Bath.

Dentre os seus museus encontram-se Segedunum, situado no forte romano mais a leste na Muralha do Imperador Hadrian. A mais famosa obra de arte de Gateshead é o Anjo do Norte, um gigante de metal feito pelo artista Richard Gormley, que domina as vistas das principais estradas e ferrovias. Os castelos e cenários agrestes de Northumbria encontram-se próximos dali.

Cardiff

A revitalização de Cardiff, em Gales, 250 quilômetros a oeste de Londres e a mais jovem capital da Europa, está centralizada em torno da Baía de Cardiff, com o seu lago e sua marina, centro da explosão de atividades culturais da cidade. O quarteirão com cafés e restaurantes de Mermaid Quay oferece escolhas variadas.

É o lar de um castelo ornamentado (ornamentado como somente os vitorianos sabiam fazer), a Ópera Nacional de Gales, galerias, esculturas ao ar livre e hotéis de cinco estrelas. Visite também o Museu Nacional e a Galeria de Gales, uma das maiores coleções do mundo de pinturas impressionistas e o Estádio do Milênio, sede das partidas finais de futebol e rugby e concertos de rock.

Bristol

Bristol, 193 quilômetros a oeste da capital, também aproveitou ao máximo a sua beira-mar, seus armazéns portuários onde se encontram restaurantes e museus variados, tais como ?At Bristol?, um centro interativo de descoberta científica e da natureza. Temple Meads, uma das mais antigas estações ferroviárias do mundo é onde se encontra o novo Museu do Império Britânico e da Commonwealth, que oferece uma visão imparcial do passado imperial, incluindo o papel da cidade no comércio de escravos.

O passado marítimo é também lembrado quando se visita o navio Great Britain, o primeiro navio a vapor a cruzar um oceano do mundo, ou The Matthew, uma réplica do navio em que John Cabot navegou para a América em 1497.

As galerias de arte variam da notável Arnolfini com a sua mostra de arte contemporânea, e a multicultural Kuumba. Os teatros incluem o Old Vic, o teatro que funciona ininterruptamente a mais tempo da Inglaterra, e o Hippodrome, onde o rapaz local Cary Grant fez a sua estréia. Os festivais de Bristol incluem aqueles que comemoram pipas, balões de ar quente e filmes, e o Carnaval de St. Paul, no estilo caribenho.

Bath

Bath, uma Cidade da Herança Mundial, encontra-se a apenas vinte quilômetros de distância. As ?agulhas de contos de fadas? de Oxford (uma hora a noroeste de Londres) e os barcos de ?punting? (bateira) no Rio Cherwell, dão a esta cidade uma atmosfera romântica além de acadêmica. Os edifícios universitários de pedras douradas – todos os 39 ?colleges?, além da Biblioteca Bodleian e o Teatro Sheldonian, de Wren – são melhor apreciados durante um tour a pé.

A cidade aproveita ao máximo as suas conexões literárias, especialmente as relacionadas com os autores de livros infantis. De Lewis Carroll (Alice, a filha do Reitor de Christ Church, o maior ?college? de Oxford, foi a inspiração de Alice no País das Maravilhas) a Philip Pullman; e os ?Inklings?, inclusive C.S.Lewis e J.R.R. Tolkien, que costumavam se encontrar nos pubs Eagle e Child.

Oxford

Oxford também se orgulha de possuir o primeiro museu público da Grã-Bretanha – o Ashmolean – bem como um dos mais peculiares – o Pitt Rivers, a coleção de um só homem. A entrada é gratuita nos dois museus. Os vilarejos pitorescos das Colinas dos Cotswold encontram-se basicamente do lado.

Embora só possa existir uma Capital da Cultura em 2008, não haverá perdedores neste concurso. Os candidatos serão intitulados Centros de Cultura, assegurando que ainda serão populares por um bom tempo.