Tropeiros e imigrantes europeus foram os responsáveis pela povoação de uma das regiões mais bonitas do Paraná, caracterizada pela vegetação de campos e escarpas devonianas (declives muito íngremes provocados pela erosão, num intervalo de tempo geológico compreendido entre 400 e 360 milhões de anos).

No inverno, a região repleta de tradições e história, destaca-se por sua beleza peculiar e paisagens de cenários naturais, convidativas a passeios em reservas e parques, como o de Vila Velha, Cânion Guartelá, Cerrado, Itaytyba e São Francisco de Assis.

Além disso, nessa época do ano, as cidades históricas podem ser conhecidas com mais tranquilidade e suas pousadas, que anteriormente foram característicos locais de pouso de tropeiros que percorriam o antigo Caminho do Viamão, garantem estada confortável, com excelentes opções gastronômicas.

Quem passa pelas estradas dos Campos Gerais pode ter uma ideia da beleza que encontrará nesses verdadeiros Cenários do Tempo, já que a região é privilegiada tanto pela natureza, quanto pela história deixada pelos imigrantes e tropeiros. O Ciclo do Tropeirismo criou um imenso corredor cultural, influenciando nos usos, costumes e tradições da população que vive na região até hoje.

Buraco do Padre, em Ponta Grossa: cenário vale muito uma visita, mesmo que o frio desencoraje um banho.

Segundo a consultora do Sebrae-PR responsável pelo setor de turismo da região, Nádia Terumi Joboji, os turistas podem desfrutar de momentos inesquecíveis em cenários emocionantes, deixando a imaginação ser instigada no passado.

“Nos Cenários do Tempo, o turista pode se inspirar pela cultura de uma grande fase da história paranaense, descobrindo como os tropeiros encontravam tanto estímulo para cortar o Paraná de um extremo ao outro, além de poder vivenciar costumes e tradições que os imigrantes deixaram. São lugares repletos de tradição e paisagens naturais, em que o tempo é protagonista da história”, comenta.

A região dos Cenários do Tempo destaca-se como um excelente ponto de promoção do ecoturismo no Paraná, utilizando, de maneira sustentável, seu patrimônio natural e cultural e incentivando sua conservação por meio do estímulo à formação de uma consciência ambientalista.

Nos Campos Gerais, o Parque Estadual de Vila Velha, abriga verdadeiras esculturas de arenito produzidas pelo tempo, além de Furnas e da Lagoa Dourada.

O Memorial da Imigração Holandesa mostra a história da comunidade em Castro e da cooperativa Castrolanda.

O sócio-proprietário e monitor da Xetá Atividades ao Ar Livre, que atua em Ponta Grossa, Maurício Soares Kisielewicz, afirma que os meses mais frios são muito procurados pelo turista que deseja fotografar a região com um visual diferente e se aventurar em passeios junto à natureza.

“No mês de agosto programamos atividades em apenas um dia, que incluem trilhas e espeleoturismo na Caverna Olhos D’água e Furnas, além de rapel no Buraco do Padre. No final do dia, os viajantes se deliciam e recuperam as baterias com um delicioso chá ou chocolate quente”, conta.

Segundo Maurício Kisielewicz, o importante é que o aventureiro esteja bem preparado com uma jaqueta grossa e impermeável, além de calçados apropriados para terrenos molhados e com rochas.

“A alimentaç&atil,de;o também é importante, por isso, cuidamos muito do lanche de trilha que, mesmo no frio, não pode ser pesado, mas deve sustentar e ajudar a manter o corpo aquecido”.

Gastronomia reflete costumes e tradições dos tropeiros

Boa parte da identidade cultural e regional de uma localidade se reflete em sua gastronomia. É o que acontece na região dos Cenários do Tempo, em que o feijão tropeiro, o arroz carreteiro, o quibebe e outras iguarias caracterizam a herança tropeira.

Em Tibagi, é feita a paçoca de carne desfiada e temperada. Vale visitar também Castrolanda, Carambeí, Arapoti e Witmarsum, para deliciar-se em cafés coloniais e adquirir produtos gastronômicos artesanais. Em Palmeira, são produzidos vinhos, queijos e bolachas.

“Há várias opções de pousadas e hotéis, bem como restaurantes, que oferecem comida tropeira quentinha, além das tortas holandesas, sopas e canjas. Para quem gosta de provar bebidas exóticas, a cabriúva, uma espécie de vinho típico com toques de gemada, esquenta o corpo e a alma”, recomenda Douglas Francisco da Costa, proprietário do Restaurante Lugano e presidente da agência de Desenvolvimento Rota dos Tropeiros.

Arquitetura

Construções históricas, costumes e tradições que remetem ao tropeirismo e aos povos europeus fazem parte da arquitetura dos Cenários do Tempo. O Museu do Tropeiro e a Fazenda Capão Alto são retratos vivos do ciclo dos tropeiros, em Castro.

Em Tibagi, o centro histórico, estão o Palácio do Diamante, sede da prefeitura e o Museu do Garimpo, que retrata o ciclo do diamante. O artesanato regional também é bastante rico, feito com fibras naturais. Pode ser encontrado em lojas de Telêmaco Borba, Castro, Carambeí, Ponta Grossa e Tibagi.

Entre os eventos, destaque para a MünchenFest, em Ponta Grossa, que integra diversas etnias. Além dela, visitas às colônias de Castrolanda, em Castro, e de Witmarsun, em Palmeira, são experiências que enaltecem os imigrantes, principalmente holandeses e alemães.

Para o coordenador estadual de Turismo do Sebrae/PR, Aldo Cesar Carvalho, os Campos Gerais têm características únicas, que inspiram o turismo de estação no Paraná, um tipo de visitação que não é muito explorado.

“No inverno, a região dos Cenários do Tempo se torna especialmente interessante por apresentar características geológicas e culturais que combinam com o frio”, conclui.

Muitas surpresas entre grutas, rios e trilhas

Para quem visita os Campos Gerais, cada lugar acaba sendo surpreendente. Em Tibagi, por exemplo, o turista irá deparar-se com o sexto maior cânion do mundo, o Guartelá, e a Reserva Particular do Patrimônio Natural Itaytyba, que permite a contemplação de um ecossistema misto de mata atlântica, mata das araucárias e vegetação de cerrados.

Em Jaguariaíva, o Parque Estadual do Cerrado também proporciona ao turista um passeio por suas trilhas compostas por vegetação típica e, em Castro, o viajante conhece a paisagem exuberante e diversificada da Reserva Particular do Patrimônio Natural São Francisco de Assis.

A região surpreende também o visitante ligado ao geoturismo, em função de suas formações que permitem uma interpretação do aspecto geológico da natureza.

“Todos esses lugares têm várias pousadas e restaurantes, ofertando conforto e rica gastronomia. O patrimônio cultural é riquíssimo, dando oportunidade ao turista de vivenciar todas as histórias dos locais por onde passa”, afirma a consultora Nádia Joboji.

Quem gosta de turismo de aventura se delicia com a prática de atividades de caráter recreativo. Caminhada, rafting, canoagem, rapel, cicloturismo, espeleoturismo e voo livre estão entre as opções da região dos Cenários do Tempo.

Há fazendas históricas de Ponta Grossa que oferecem atividades verticais e caminhadas em trilhas e, no Rio Iapó, localizado entre Castro e Tibagi, o turista aventureiro pode praticar rafting dentro de estritas normas de segurança.

Ponta Grossa também garante encanto para aqueles que procura,m lazer e entretenimento. O Recanto Botuquara, o Rio São Jorge e o Buraco do Padre são exemplos de espaços que oferecem oportunidades de banho em piscinas naturais, trilhas e camping, entre outras atrações.

O Parque Lacustre, em Castro, é propício para caminhadas e prática de esportes e, outra proposta interessante está no Parque Ambiental Dr. Dr. Ruy Cunha, o Bosque do Tropeiro, em Jaguariaíva, antigo pouso de viajantes, que conta com cantinho do chimarrão, museu tropeiro, trilhas e prática de pesca.