Dia 17 de dezembro, quarta-feira, 23h30. Momento em que a Expedição “Carona Brasileira” começava. O ônibus partia de Curitiba rumo a Santos, litoral paulista, numa viagem de seis horas. O leitor deve estar se perguntando porque não fui de carona. Oras, porque a expedição tem como objetivo contornar o litoral brasileiro, não que outras regiões não merecessem entrar no roteiro, mas porque as características do povo litorâneo são diferentes, mais amistosos e costumam encarar a carona como uma prática comum.

Chegando a Santos, atravessei a cidade de ônibus para pegar a balsa até Guarujá. E o leitor novamente se pergunta: “cadê a carona”? Antes de sair por aí pegando carona, deve-se levar em consideração uma série de fatores, como segurança, localização, horário, mas o principal é a eficiência da carona.

Nada adianta esticar o dedão para fora, no centro de uma cidade grande, onde cada motorista segue um caminho diferente. Por isso, nas cidades maiores, a expedição irá se movimentar basicamente a pé e com ônibus, até se afastar para uma das saídas da cidade.

No Guarujá, peguei outro ônibus até a rodoviária, para aguardar a chegada da minha amiga Anastácia, 23 anos. Ela saiu de Natal (RN) apenas para se juntar à expedição Carona Brasileira. Depois de quatro horas de espera na rodoviária, finalmente nos encontramos, dando início a nossa aventura.

Saímos do Guarujá até Bertioga, quando descemos para almoçar, num restaurante na beira da rodovia Rio-Santos. Depois de saborearmos um gigantesco prato de comida (P.F.), percebemos a presença de um caminhoneiro na mesa ao lado. Nos apresentamos e ele, todo simpático e honrado em poder ajudar a expedição, nos ofereceu uma carona.

Elbem César Silveira, 31 anos, dirigia um caminhão de uma grande transportadora. Estava voltando para sua casa em Taubaté (SP), seguindo a Rio-Santos sentido Norte. Faltava para ele apenas uma última parada em Barra do Say.

Seguimos com Elbem até Barra do Say, um vilarejo de pescadores cercado de grandes mansões e com boas ondas para a prática de surfe. De volta na estrada, queríamos descer em Maresias, mas acabamos passando o balneário. Tivemos que descer em Paúba e pegar uma outra carona para voltar. Logo parou um carro que estava indo para Cambori e nos acolheu.

Maresias é um balneário do município de São Sebastião e uma das praias mais movimentadas do litoral paulista, com quatro quilômetros de areias claras e finas e um mar muito verde. Dentro da água, há uma laje com recifes, que tornam o lugar um bom pico para o surfe. Resolvemos nos hospedar na Pousada San Sebastian, que reúne mochileiros de todo o mundo, além do ambiente agradável e da diária de apenas R$ 18, incluindo o café da manhã e podendo usufruir piscina e sala de jogos.

Amizade

Dia 19 de dezembro, sexta-feira, 14h. Pegamos carona com um grupo de três amigos que conhecemos na pousada. Reinaldo, o motorista, trabalha no Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), na área de astro-física, e estava voltando para sua casa em São José dos Campos (SP). Descemos no meio do caminho, em São Sebastião, pois nossa próxima parada era conhecer a Ilha Bela.

Quando a balsa chegou à ilha, a primeira impressão é de um lugar restrito a pessoas de grande poder aquisitivo. Pousadas caras, restaurantes caros, mansões, condomínios, praias particulares. Segundo os moradores da ilha, propósito disso é restringir o número turistas, preservando assim a natureza, mas aumentando os preços dos serviços e selecionando quem pode pagar por eles.

Toda essa capitalização da Ilha Bela não nos impediu de pegar uma carona e conhecer suas melhores praias. Fomos para o sul, até a Ponta de Sepituba, onde a estrada termina. Depois começa uma trilha para Cachoeira da Laje, passando por dentro da Mata Atlântica e chegando a lindas quedas d?água, em volta de piscinas naturais.

Essas belezas escondidas ainda fazem de Ilha Bela um lugar para aventureiros e mochileiros. Não importa qual seja a classe social deles.

Esses foram os primeiros destinos visitados pelos aventureiros da Expedição Carona Brasileira. Percorrendo o nosso litoral, pegando carona, Jeferson e Anastácia pretendem chegar aos Lençóis Maranhenses. A aventura, que deve durar dois meses, tem como objetivo mostrar uma forma diferente e econômica de fazer turismo pelo Brasil.

Continue acompanhando a aventura aqui no Viagens & Turismo.

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