O Neuschwanstein, o típico castelo de contos de fadas, é hoje o mais famoso e visitado da Alemanha.

O Castelo da Cinderela, na Disney, em Orlando (EUA), é o ícone que vem à mente de muitas pessoas, principalmente das mais novas gerações, quando se fala em um cenário de contos de fadas. O que poucos sabem é que o genial Walt Disney se inspirou em um castelo real para construir este, que é um dos mais importantes atrativos dos seus parques até hoje. A arquitetura da casa da Cinderela foi baseada no Neuschwanstein, o mais famoso e visitado castelo da Alemanha, situado na pequena cidade de Schwangau, a cerca de cem quilômetros ao sul de Munique, a capital bávara.

Construído entre os anos de 1869 e 1886, no alto de uma montanha, de onde se pode avistar uma imensa área verde, repleta de árvores, campos e o Lago do Cisne (Schwansee), o castelo é também uma impressionante obra de arquitetura, que lhe rendeu a candidatura ao título de ?maravilha do mundo moderno?. A votação está em andamento e o resultado será anunciado no próximo dia 7 de julho, em Lisboa, Portugal.

O paisagismo chama mais atenção do que a fachada do pequeno Linderhof.

Uma possível eleição deve colaborar para aumentar ainda mais o número de pessoas que o visitam. Hoje, já passam por lá 1,2 milhão de turistas por ano. Além da forma, a história que rodeia este ícone alemão o torna ainda mais interessante. O Neuschwanstein é o sonho concretizado, porém não completo, de Ludwig II, o rei da Baviera entre os anos 1864 e 1886. Excêntrico, mandou construir o castelo para ser sua casa de veraneio e destinou o mais interessante de seus cômodos, a Sala dos Cantores, a Richard Wagner, o seu compositor favorito. Ludwig morou apenas três meses no castelo e morreu sem ver a obra concluída. Wagner nunca pisou lá. Atualmente, a pitoresca sala é palco de concertos durante nove dias do mês de setembro.

Na mesma área do Neuschwanstein, a trinta minutos de caminhada, está o Castelo Hohenschwangau, onde o rei passou parte de sua infância. Em uma visita aos castelos, percebe-se que, mais do que a forma, é a história que os envolve que poderia inspirar contos e filmes.

Serviço: o pacote com ingressos para os dois castelos (Neuschwanstein e Hohenschwangau) custa 17 euros. Um ônibus faz o trajeto entre eles, a passagem custa 1,80 euro. Site: www.schloesser.bayern.de e www.koenigliches-bayern.

Linderhof também revela as paixões do rei

Rei se recolhia neste cenário inspirado em obra de Wagner.

Dos três castelos que mandou construir, o rei Ludwig II teve a satisfação de ver apenas um concluído: o Linderhof, o menor deles, situado no Vale Graswang, perto de Ettal, na região pré-alpes. Foi sua residência durante oito anos, e a preferida. Embora não tenha a suntuosidade do Neuschwanstein e do Herrenchiemsee, o castelo ganha em beleza de detalhes, começando pelos seus jardins, cuidadosamente projetados e repletos de flores, e a surpresa de uma fonte dourada que jorra água para o alto a cada meia hora. De estilos barroco, francês e rococó, o castelo foi uma homenagem de Ludwig II aos reis da França e, assim como o Herrenchiemsee, também foi projetado para ser uma réplica do Palácio de Versailles.

De estilo barroco e rococó, o Linderhof foi uma homenagem de Ludwig II aos reis da França.

A paixão do rei bávaro pela obra do compositor alemão Richard Wagner também tem uma prova neste castelo: um dos cômodos tem como peça principal um piano (tipo Aelodion), construído especialmente para o artista, mas que nunca foi utilizado. Além da França e da obra de Wagner, a paixão pelos cisnes também é bem explícita no Linderhof. Dizem os guias de turismo que, para anunciar sua chegada ao castelo, Ludwig II costumava colocar virada para a janela a escultura negra de um cisne, que ainda hoje enfeita o que foi o quarto de dormir do rei. Ele preferia isso ao uso do hasteio de bandeiras, que, para ele, lembrava períodos de guerra.

Depois de visitar o interior do castelo de Linderhof, não deixe de conhecer a gruta onde o rei Ludwig II se recolhia para pensar na vida enquanto ouvia algumas das composições de Wagner. Na penumbra do interior, um lago azul, uma queda d?água, figuras inspiradas na ópera de Wagner e o som de música clássica projetam o turista a um cenário de filme. Mais uma excentricidade de Ludwig II.

Serviço: o ingresso ao Linderhof custa 6 euros. Site: www.linderhof.de. (DAS)

Chiemsee dá vida a Prien e conduz o turista à réplica de Versailles

Herrenchiemsee: réplica do Palácio de Versailles foi frustrada por falta de recursos.

Além de Neuschwanstein, a lenda Ludwig II está por trás também de outros dois castelos: o de Linderhof (veja texto nesta página) e o Herrenchiemsee ou Castelo do Rei Ludwig II, situado na Ilha Herren (Herreninsel), região de Chiemgau, a 80 quilômetros de Munique.

Às margens do maior lago da Baviera, o Chiemsee, de 80 quilômetros quadrados, a vida na pequena cidade de Prien am Chiemsee, de apenas dez mil habitantes, transcorre tranqüilamente. Seus cenários naturais, ora compostos pelo lago, ora pelos Alpes, mas sempre com muito verde e flores, já foram retratados em muitos quadros de pintores de todas as partes que ali buscavam belas paisagens para suas obras. Sua permanência na cidade ajudou a desenvolvê-la ao longo dos anos.

Hoje, as ruas estreitas, cafés e pequenos restaurantes com mesas ao ar livre, de frente para o grande espelho d?água, continuam tendo muito mais turistas que moradores. ?São um milhão de visitantes por ano, que vêm de todas as partes do mundo, principalmente, no período de junho a setembro?, informa Gerd, um dos guias de turismo local.

Hoje, Prien faz parte do roteiro turístico da Baviera principalmente pela proximidade do Castelo Herrenchiemsee, na Herreninsel (ou Ilha dos Homens), que fica distante apenas dez minutos de travessia pelo lago Chiemsee.

A vida ao redor do lago: Chiemsee embeleza e confere tranqüilidade a cidades e ilhas.

Apreciador de tudo que dizia respeito à França, Ludwig II mandou erguer ali uma réplica do Palácio de Versailles, construído pelo rei Luís XIV, nos arredores de Paris. Fadado à frustração, o rei bávaro também não chegou a concluir a obra por falta de recursos, tal e qual ocorreu com o Castelo de Neuschwanstein. Esta parte da história é retratada pelas paredes mal-acabadas dos primeiros aposentos visitados, já na entrada do castelo.

Entre os cerca de vinte cômodos, um dos principais atrativos é a Grande Sala dos Espelhos. Pela beleza, luxo e efeito de infinito.

Ilha das Mulheres

Não deixe de ir também à Fraueninsel (ou Ilha das Mulheres). Ela não abriga nenhum castelo, mas vale a pena pela beleza natural, pela arquitetura, pela grande quantidade de roseiras (lindíssimas) em todos os cantos, subindo pelas paredes das casas. Vale também pelo ar de ?cidade do interior à beira do lago? e também pelos restaurantes, que servem boa comida, como é o caso do Zur Linde, com vista para a melhor paisagem.

Serviço: o passeio até a Ilha de Herren, com visita ao Castelo Herrenchiemsee, custa 7 euros por pessoa. Dez minutos é o tempo de travessia entre as ilhas Herreninsel e Fraueninsel. Sites: www.schloesser.bayern.de e www.tourismus.prien.de. (DAS)

Nymphenburg enfeita Munique

Nymphenburg foi construído para ser a casa de verão dos monarcas; hoje, é museu e seus jardins, palco para concertos.

Uma prova de amor que resistiu até mesmo à violenta Segunda Guerra Mundial. O belo Nymphenburg ou Palácio das Ninfas, situado na região oeste de Munique, capital da Baviera, foi um presente do rei Ferdinando para sua mulher Henrieta Adelaide de Sabóia. Vale a visita. É um dos mais belos castelos da Europa e ganhou destaque também por ser um dos monumentos alemães que passaram ilesos pela guerra.

O local encanta os turistas já na chegada. Castelo extenso, foi erguido ao redor de uma estrutura central, construída em 1664, para ser a casa de verão da monarquia. Levou 110 anos para ser totalmente concluído, um trabalho comandado por cinco gerações de reis. Hoje, é o maior palácio barroco da Alemanha. O belo jardim, de 220 hectares, é palco de concertos, principalmente nos meses de primavera e verão.

Afresco mostra a deusa Flora e as ninfas, que dão nome ao palácio.

No interior, detalhes da mitologia grega e romana. Na Sala de Pedra, finalizada em 1755, chama atenção um afresco com a deusa Flora e as ninfas, que dão nome ao palácio. Na Galeria das Pedras, quadros exibem as mulheres da época, nobres e burguesas. Entre elas, a irlandesa Lola Montez, bailarina de flamenco, que teve um caso com o rei Ludwig I (1786-1868). O escândalo, à época, foi o estopim para a abdicação real em 1848.

O ingresso para o palácio custa 7 euros. Em passeio pelo Parque de Nymphenburg, o turista se depara também com o pequeno Amaliemburg, construído de 1734 a 1739, em estilo barroco rococó. O local servia como uma casa de caça para a família real. Do alto da estrutura, era fácil mirar os animais que tentavam se esconder entre as árvores da grande área verde que circunda o palácio. No interior, uma grande cozinha onde Amália mesmo preparava pratos com as caças. Mais informações: www.schloesser.de.

Residenz guarda quatro séculos de história

Imponente estrutura no centro histórico, museu simboliza o apreço pela arquitetura e arte.

Ao contrário do Nymphenburg, o Residenz, no centro histórico de Munique, foi amplamente atingido durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Dos 200 mil metros quadrados de teto deste palácio urbano, sobraram apenas 50 mil. O fato é lembrado em fotos e maquetes expostas aos visitantes e, hoje, sua reconstrução, finalizada há somente quatro anos, é motivo de orgulho para o povo bávaro.

O Residenz foi, entre os anos de 1508 e 1918, a residência da dinastia Wittelsbach, que reinou durante setecentos anos na Baviera. Hoje, é um dos mais importantes museus da Alemanha. São mais de cem aposentos, decorados sob os mais variados estilos, abertos à visitação pública. Alguns deles estão, atualmente, disponíveis para locação. É o caso da Sala do Imperador, construída entre 1612 e 1616, que hoje abriga grandes eventos. Luxo para poucos, já que o aluguel de uma noite custa 17 mil euros.

Entre as relíquias do acervo, a escultura de São Jorge e seus mais de mil brilhantes.

O museu oferece uma boa noção de como a arte e a arquitetura eram usadas como expressão de poder. O acervo tem peças raras, incluindo móveis, tapeçarias, relógios de séculos diversos; além do escudo com o brasão da Baviera. Entre as relíquias, uma pequena escultura de São Jorge (padroeiro da família real), considerada o tesouro nacional. A peça tem cerca de mil brilhantes, mais de quatrocentas pedras de safira, além de pedras de esmeralda, ágata e espada de cristal.

O Residenz guarda também algumas ossadas de santos. É que, dentre os 16 estados da Alemanha, a Baviera é, historicamente, o mais católico deles. No século XVII, se dedicou fervorosamente à luta a favor do papa e contra Martinho Lutero na Guerra dos Trinta Anos.

Serviço: o ingresso ao Residenz custa 6 euros. Mais informações: www.residenz-muenchen.de.(DAS)

Na próxima semana, a última edição da série sobre a Baviera. O tema será as pequenas cidades de Obberammergau e Füssen e as curiosas Termas Kristall.

A jornalista viajou a convite do Centro de Turismo Alemão (DZT) e da Lufthansa.