Aventura desvenda as belezas do Rio Grande

Em meados de janeiro três aventureiros do Paraná programaram uma aventura inusitada. Em oito dias de duras pedaladas, em estradas com longas retas, em terrenos planos, praias desertas, areia dura e vegetação rasteira. Paulo Jamur, Priscila Forone e Maria Cristina Hartmann, enfrentaram 840 quilômetros entre Torres, no extremo Norte do Litoral do Rio Grande do Sul, até alcançar a pequena comunidade de San Miguel, já cruzando a fronteira entre Brasil e Uruguai.

“Em alguns trechos tivemos que empurrar as bikes onde a areia fofa era o obstáculo”, revela Jamur. A viagem foi um misto de turismo de baixo custo, com a busca de conhecimento, liberdade, aventura, superação e ainda abrir novos caminhos para a educação ambiental, chegar aonde não se chega com meios “comuns” de transporte. Para este último objetivo, o trio recebeu o apoio da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).

A idéia era estabelecer contatos com líderes comunitários para que, posteriormente, fosse avaliado e introduzido métodos de educar e conscientizar moradores sobre a importância de preservar a natureza.

“Start”

Tudo começou no dia 18 de janeiro, após uma viagem de ônibus de aproximadamente sete horas, entre Curitiba e Torres. Bikes em bolsas especiais, mais bagagem pessoal, alimentação para os primeiros dias e, é claro, os três aventureiros do pedal.

A saída se deu em Torres com vários dias de pedal até o Chuí, passando por Santa Terezinha (97 quilômetros), Dunas Altas (70 quilômetros), São Simão (78 quilômetros), Mostardas (40 quilômetros), Tavares (30 quilômetros), Bojuru (57 quilômetros), São José do Norte (90 quilômetros), Praia do Cassino (25 quilômetros), Taim (60 quilômetros), Curral Alto (60 quilômetros), Santa Vitória dos Palmares (88 quilômetros), Barra Do Chuí (42 quilômetros), Chuí e Chuy (Uruguai – 30 quilômetros).

No roteiro foram incluídas visitas às unidades de conservação que existem no caminho escolhido pelos três aventureiros.

Entre elas, o Parque Nacional da Lagoa do Peixe, ponto de parada de aves migratórias, fazendas habitadas por antigos moradores e seus rebanhos de gado; a Reserva Ecológica de Taim, que é o Pantanal do Sul com sua riqueza e variedade de fauna e flora, o equilíbrio tão perto de nós; Lagoa dos Patos, exuberante na sua imensidão; a Lagoa Mirim, não menos imponente do que a Lagoa dos Patos, onde as margens são inalcançáveis à vista humana; cidades históricas, praias habitadas somente por pescadores e sem infra-estrutura alguma, até praias de veraneio, contrastes de mundos completamente diversos dentro de um mesmo litoral; faróis históricos, que avisam as embarcações dos perigos dos mares do sul; ruínas da casa do faroleiro e faróis que o tempo e a maré se ocuparam em destruir, até a barra do Chuí onde a mão do homem se antecipa e torna a paisagem algo incomum.

“Foram dias de aventura, travando frente com momentos de total solidão e devaneio introspectivo e momentos de pura troca com pessoas diferentes do nosso mundo.

A única preocupação foi viver um dia atrás do outro, picuinhas de cidades pequenas que demonstram o quanto ainda vai demorar a acontecer o equilíbrio entre os homens e entre homens e a natureza”, filosofa Jamur.

Voltamos no dia 31 de janeiro. A sensação era a de missão cumprida e uma certeza: a de que existe muito mais além de nossa imaginação.

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