Fazer seu próprio roteiro e poder repetir o programa de que mais gostou, sem precisar pedir a opinião de ninguém, estão entre as muitas vantagens de se viajar sozinho.

Só, o turista também está mais aberto a fazer boas amizades. Porém, muitos fatores devem ser levados em consideração por quem pretende viajar sozinho.

Segundo Lúcio Martins Rodrigues, “viajante profissional”, autor do Manual do Turista Brasileiro, guia que reúne informações e dicas para viajantes, o candidato a turista solitário deve ser, em primeiro lugar, uma pessoa de espírito independente, emocionalmente equilibrada, auto-confiante e com um certo domínio de outros idiomas.

Encarar bem a solidão também é imprescindível, do contrário, corre-se o risco até de cair em depressão, transformando o sonho em pesadelo.

Amizades

A possibilidade de fazer amigos é maior quando se está só, mas é preciso ter alguns cuidados com quem se acaba de conhecer. “A pessoa sozinha tende a se sentir mais carente e, por isso, mais sujeita a se deixar levar por conversas que normalmente não cairia”, comenta Lúcio. “Quem viaja sozinho é mais frequentemente vítima de roubo do que casais ou grupos”, exemplifica.

Portanto, recomenda ele: “todas as dicas de segurança e de cuidados com saúde devem ser duplamente consideradas por quem viaja sozinho”. Uma dica valiosa, no caso de viagens ao exterior, por exemplo, é ter em mãos os telefones de emergências do Consulado Brasileiro e de pessoas de confiança no Brasil.

De acordo com o Manual, por mais confiável que pareça ser a pessoa que conheceu em uma viagem, não se deve fornecer nenhuma informação relevante sobre sua vida pessoal, nem mesmo o que se guarda no cofre do hotel ou albergue, no caso deste novo amigo ser um companheiro de quarto.

Cuidado também com possíveis paqueras. “A turista sai com algum bonitão do lugar e, no dia seguinte, descobre que seu cartão de crédito sumiu – este é um dos golpes a que se pode estar sujeito. O mesmo vale para homens incautos”, alerta Lúcio.

Custo

Quem pretende viajar sozinho tem que estar consciente também de que irá gastar um pouco mais do que se estivesse acompanhado. O preço da hospedagem, por exemplo, não será dividido, nem tampouco o prato que poderia servir para dois.

Os albergues da juventude, também chamados hostels, e os B&Bs (bad and breakfast, tipo de hospedagem em que são oferecidos “cama e café” em ambientes familiares) oferecem a possibilidade de o turista dividir um quarto com uma ou mais pessoas, o que reduz custos, consideravelmente.

Viajar sozinho no Brasil pode ser mais fácil, já pelo conhecimento do idioma. Poder acessar facilmente sua conta bancária ou receber dinheiro mais rapidamente numa emergência ou mesmo recorrer ao seu convênio médico são outras vantagens.

Porém, com a globalização, essas diferenças tendem a ser minimizadas. As amizades também são mais facilitadas em uma viagem doméstica, principalmente em comparação a um país exótico.