Caminhada sobre o gelo do Glacial Grey.

O extremo-sul da América. Num primeiro momento o fator exótico desperta curiosidade, mas quando se descobre realmente quais são as belezas naturais da Patagônia chilena, o desejo de conhecê-las aumenta cada vez mais. No local conhecido como região de Magalhanica, por estar próximo ao Estreito de Magalhães (liga os oceanos Pacífico e Atlântico, foi descoberto em 1.º de novembro de 1520 por Hernado de Magallanes), vivem cerca de 150 mil pessoas.

Talvez pelo pouco número de habitantes, a fauna e a flora local estejam tão bem preservadas até hoje.

Para iniciar a aventura é inevitável conhecer a cidade chilena de Punta Arenas.

Com seus 120 mil habitantes ela tem a honra de ser a cidade mais ao sul de todo o planeta. Desde sua fundação, em 1848, ela se destaca pela produção e comercialização de lã de ovelha.

Mas o que mais impressiona na Patagônia são as formações de gelo. Os chamados glaciais podem ser vistos nos parques nacionais Bernardo O?Higgins e Torres del Paine. As formações de gelo datam de milhões de anos atrás.

Cada glacial forma um lago que, via de regra, recebe o mesmo nome da geleira. Assim acontece com os glaciais Balmaceda e Serrano, que fazem parte do Parque Nacional Bernardo O?Higgins.

As duas geleiras podem ser vistas bem próximas com a utilização de barcos.

No Glacial Serrano é possível passear de caiaque em suas cercanias, também como fazer uma trilha por terra que leva direto ao início da gigantesca formação de gelo.

Torres del Paine

A cidade recebeu esse nome devido às montanhas que formam a Cordilheira del Paine. É independente das duas principais cordilheiras do Chile (a da Costa e a dos Andes). A cordilheira apresenta montanhas esculpidas em forma de torres e cornos nos últimos doze milhões de anos.

Essa paisagem serve como pano de fundo para o Parque Nacional de Torres del Paine (242 mil hectares) que foi declarado reserva da biosfera pela Unesco. A cidade fica a quatrocentos quilômetros de Punta Arenas.

No parque é possível encontrar espécies raras de animais, como cisnes, guanacos, ñandúes, pumas, condores, huemuls e os zorros (raposas).

Todavia, a principal atração do parque é o Glacial Grey. O terceiro maior da região tem 45 metros de altura e uma largura de quatro quilômetros. É possível caminhar sobre o glacial em alguns pontos, claro, utilizando-se de uma vestimenta especial.

Um passeio de quatro horas de barco até o glacial custa US$ 60 e dá direito a uma experiência inusitada: beber pisco sour (bebida típica chilena) ou whisky com pedras de gelo de milhões de anos. Isso mesmo, durante a viagem são servidas bebidas com gelo de pedaços que se desprendem do glacial.

Pingüineiras

Conhecer pingüins é uma das grandes opções da região do Estreito de Magalhães. A pouco mais de uma hora de carro de Punta Arenas está a Pingüineira Seno Otway. Nela é possível ver cerca de oito mil animais da espécie pingüim magalhanico.

O curioso é que eles têm hora marcada para sua exposição aos turistas. Das 9h às 11h eles estão na praia. Depois se recolhem ao mar à procura de alimento, voltando entre 15h e 17h. A praia onde eles ficam é fechada, sendo cobrado pela entrada cerca de R$ 12.

Milodón

Outra atração da região é a Cova do Milodón (Mylodon darwinii). Pela Rota 9, no sentido Punta Arenas-Puerto Natales fica a gruta onde vivia um gigantesco animal pré-histórico. Em 1896 foram encontrados restos mortais do mamífero em ótimo estado de conservação.

Na época acreditou-se que o animal ainda vivia. Hoje existe uma réplica de resina do milodón no local.

O jornalista viajou a convite da Corporación de Promoción Turistica de Chile e da Lan Chile.

Programas imperdíveis

– Vá à cova do Milodón. Além da réplica do mamífero que vivia no local, a caverna é interessante por sua formação rochosa.

– Não deixe de conhecer os glaciais e apreciar um pisco sour com uma pedra de gelo milenar.

– Inclua em seu roteiro a visita a, pelo menos, uma pinguineira.

– Prove o carneiro magalhanico, espécie de churrasco feito com carne de ovelha.

– Mais informações:

www.visit-chile.org.