UFMG cria músculo artificial

O Laboratório de Bioengenharia do Departamento de Engenharia Mecânica da UFMG prepara-se para testar o primeiro músculo artificial com aplicação médica desenvolvido no Brasil. A tecnologia, que poderá suprir dificuldades de locomoção, é um aperfeiçoamento do Músculo de McKibben, pioneiro do gênero no mundo. Não há no mercado músculos artificiais com finalidade médica. O único modelo disponível tem aplicação industrial.

O coordenador do laboratório e professor do Departamento de Engenharia Mecânica, Marcos Pinotti, informa que os primeiros testes com o protótipo deverão ser realizados depois que o projeto for aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFMG. Segundo ele, para cada paciente e cada dificuldade de movimento deve ser desenvolvido um exoesqueleto específico que aplique um ou mais músculos artificiais. O protótipo foi desenvolvido com a colaboração de uma voluntária, Fátima Félix de Oliveira, que contraiu mielite e poliomielite na adolescência.

O fisioterapeuta Breno Gontijo Nascimento, mestrando da Engenharia Mecânica que participa do projeto, diz que o exoesqueleto pode ser aplicado em casos de problemas neurológicos que resultam em deficiências motoras. “Nessa situação, o músculo perdeu o comando neurológico, mas está com sua estrutura intacta”, explica o mestrando. O exoesqueleto funciona como uma ativação externa, mantendo a amplitude do movimento original. Assim, o paciente não precisa encontrar formas alternativas para a locomoção, evitando comprometimento de outras estruturas musculares e ósseas. Breno Gontijo afirma que, quanto mais rápida a adoção do exoesqueleto, melhores serão as respostas do organismo.

Funcionamento

Claysson Vimieiro e Danilo Nagem, engenheiros mecânicos e mestrandos do curso, explicam que o músculo artificial é composto de duas malhas sensíveis à pressão. O tubo formado pelas malhas está conectado a um cilindro de ar-comprimido. Quando o ar é injetado, o tubo aumenta de volume e reduz seu comprimento. Esse movimento corresponde à contração muscular e gera força para mover o membro. Quando o ar é liberado, o músculo artificial faz a distensão e o membro volta à sua posição original.

O músculo desenvolvido pela UFMG apresenta uma estrutura simples, leve e de grande maleabilidade, o que permite aplicações diversas. Os testes realizados em laboratório indicam que a vida útil do músculo artificial é de mais de 20 mil ciclos, “o que equivaleria a uma caminhada de cerca de 40 quilômetros”, compara Marcos Pinotti.

No protótipo desenvolvido, o controle de injeção de ar é feito manualmente pelo próprio usuário. Mas os pesquisadores do Laboratório de Bioengenharia já estão preparando um sistema de controle remoto, que facilitará o acionamento do músculo.

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