A maior parte dos historiadores aceita atualmente que o nascimento de Jesus deve ter ocorrido entre os anos 8 e 4 a.C., uma vez que Heródoto – autor de “massacre dos inocentes”- morreu no ano 4 a.C. É, portanto, neste período e não por volta do ano 1 a.C., que se deve procurar o fenômeno celeste que teria guiado os Reis Magos.

Se bem que não exista nada de concreto sobre a identificação da Estrela de Belém, para explicar a sua aparição da não faltaram teorias.

Alguns astrônomos acreditam que fosse um cometa. Um levantamento dos cometas visíveis naquela época, não pode ser considerado, pois os cometas eram tradicionalmente considerados como anunciadores de destruição ou morte de alguns reis… Assim sendo nada, mas oposto à tradição supor que um cometa estivesse associado ao nascimento do Salvador.

Outros astrônomos acreditam que a Estrela de Belém fosse uma supernova. Uma provável candidata foi observada no ano 5 a.C. Todavia, só a sua aparição não seria suficiente para despertar o interesse dos magos e astrólogos, com exceção dos chineses e japoneses. Até o século XV, nenhum registro de novas e supernovas havia sido registrado no Ocidente, acreditava-se na imutabilidade da divina do céu.

Finalmente, desde que o astrônomo alemão Johannes Kepler (1571-1630), que dedicou grande parte do seu tempo neste estudo, sugeriu que a Estrela de Belém teria sido a conjunção tríplice [conjunção que se repete três vezes durante um mesmo ano] de Júpiter e de Saturno, que ocorreu no ano 7 a.C.

Em 1999, o astrônomo norte-americano Michael Molnar acrescentou uma nova variante a este conjunto de teorias. Para Molnar, a Estrela de Belém corresponde de fato ao desaparecimento, ou melhor, a ocultação do planeta Júpiter pela passagem em sua frente da Lua. Com efeito, em 17 de abril do ano 6 a.C., ocorreu este evento, sendo “reaparecimento” de Júpiter -considerado como o Planeta Real -, um sinal do nascimento de um rei.

Apesar do brilho do fenômeno, o astrônomo inglês Mark Kigger, do Instituto de Astrofísica das Canárias, Tenerife, acredita que a conjunção de Saturno e Júpiter produziu-se muito baixo no horizonte para que possa ter sido observada. Recentemente, Kigger sugeriu a volta a hipótese da supernova, sugerindo que numa antiga crônica chinesa (Chien-han-shu) existe o registro de que um objeto celeste foi observado, durante 70 dias no céu no ano de 5 a.C. Mesmo para esta última sugestão o argumento de que no Ocidente não se considerava esse fenômeno permanece.

Ronaldo Rogério de Freitas Mourão é astrônomo e pesquisador titular do Museu de Astronomia e Ciências Afins do Rio de Janeiro, do qual foi o criador e primeiro diretor, autor de 70 livros, dentre eles O Livro de Ouro do Universo.

Seria Vênus a Estrela de Belém?

A presença da resplandecente de Vênus – a Estrela dos Pastores – no céu crepuscular destes últimos dias que antecedem o Natal, deve sugerir a muito, como já ocorreu no fim do século XIX, quando a idéia de que este planeta poderia ter sido a Estrela de Belém que orientou os Reis Magos até o menino de Jesus.

Acrescenta-se o fato de em 25 de dezembro deste ano, o planeta dos pastores estará em conjunção com o fino crescente lunar. Um belo espetáculo a ser apreciado logo após o pôr-do-sol, neste tempo de Natal, quando quase toda humanidade volta-se para uma confraternização universal.

Todos os anos, por volta do Natal, uma nova hipótese é lançada para explicar, sob o ponto de vista astronômico, o aparecimento da Estrela de Belém. Uma das mais freqüentes explicações é de que ela pode ter sido o planeta Vênus especialmente quando a aparição de Vênus ao amanhecer ou ao anoitecer coincide com as festas natalinas. Por exemplo, no Natal de 2000, Vênus surgia no céu muito alto em relação ao horizonte, tendo sido por algum tempo, contemplada logo após o pôr-do-sol.

Vênus é conhecido há milhares de anos. A “Tabua de Vênus” – registro da primeira observação de Vênus, realizada por um astrônomo sírio, por volta de 1700 a.C. -, encontra-se exposta no Museu Britânico, em Londres. Outra antiga observação de Vênus foi encontrada nas Tábuas de Ninevah de 684 a.C.

O planeta Vênus já era, portanto, conhecido dos babilônios que o designavam pelo nome Istar ou Ishtar, em homenagem a mãe dos deuses e a personificação da mulher. O nome moderno Vênus provém da deusa romana do amor. Na era pré-telescópica, Vênus deveria aparecer como a mais amada das estrelas no céu e, em conseqüência, foi inevitavelmente associada à deusa do amor. Esta romântica visão permanece até os tempos modernos, apesar dos resultados das sondas espaciais terem fornecido descrições sobre a superfície árida e dados sobre a atmosfera, onde reina uma temperatura de cerca de 450ºC, que transformaram o paraíso das primeiras descrições, nas quais o Vênus era apresentado como um planeta semelhante à Terra, num estágio anterior ao atual.

Como sabemos, os Reis Magos, eram sábios em parte astrólogos e em parte astrônomos que conheciam os cinco principais planetas assim como seus movimentos no céu. É, portanto, um absurdo supor que estes sábios homens do Oriente se enganassem, confundindo um objeto familiar, com o planeta Vênus, como uma estranha aparição celeste, como foi a Estrela de Belém.

O astrônomo e escritor inglês Patrick Moore – o mais importante divulgador da astronomia na mídia inglesa – quando solicitado a se pronunciar sobre a hipótese de Vênus, respondeu de maneira grossa e curta: “Se os ?homens sábios? [referindo-se aos Reis Magos] se enganaram com Vênus, eles não deveriam ser muito sábios!”.

Enfim, a Estrela de Belém não deve ter sido Vênus… Mas, convém procurar observa-la ao entardecer, especialmente, no dia de Natal.

Se por um lado, a expressão “no Oriente”, no Evangelho, segundo São Mateus, pode também significar “durante o seu nascer helíaco”, ou seja, a estrela teria aparecido durante as primeiras luzes da aurora”, por outro lado, a parte mais contraditória do relato de São Mateus está relacionada à afirmativa de que a Estrela precedeu à partida dos Reis Magos, quando eles deixaram Jerusalém para o sul em direção à cidade de Belém. Ora, isto significa que a Estrela teria se deslocado para o sul ao lugar de seguir o movimento habitual das estrelas de leste para o oeste. Por incrível que pareça a Estrela de Belém estacionou em cima do estábulo, onde se encontrava o menino de Jesus! Nada disso parece conciliável com um fenômeno astronômico.

O mais lógico será acreditar num sinal luminoso divino, indubitavelmente aceito por todos aqueles que têm fé e acreditam em Cristo, pois a imaginação é mais poética e indizível do que a realidade. (RM)