Além de tentar buscar a liderança na produção de biodiesel no País, a Petrobras está apostando no desenvolvimento de tecnologias próprias para usar, na fabricação do combustível, sementes oleaginosas de plantas tipicamente brasileiras, como a mamona, o dendê e o pinhão-manso. A idéia central da empresa é diversificar as matérias-primas usadas na produção de biodiesel para evitar as oscilações de preços de outras sementes que estão sujeitas ao mercado de alimentos, como é o caso da soja.

O gerente de Desenvolvimento Energético da estatal, Mozart Schmitt, anunciou hoje que, do ponto de vista técnico, a empresa já está conseguindo provar que o desempenho do biodiesel de mamona não fica atrás do combustível feito a partir da soja. Ele citou dados preliminares de um estudo que está sendo feito pela empresa, em conjunto com a Ford e a Unifacs, da Bahia, que comparam o desempenho do diesel comum com misturas de 5% (o chamado B5) de biodiesel feito apenas com mamona ou apenas com soja nos motores de seis veículos Ford Ranger. "Até o momento, os veículos testados já rodaram 45 mil quilômetros e não houve diferença entre os combustíveis", disse Schmitt.

Outro importante braço de pesquisas da Petrobras na área de biodiesel está no Rio Grande do Norte. A estatal montou duas unidades experimentais de produção de biodiesel em seu parque industrial de Guamaré. Ambas as unidades produzem a partir da mamona e de outras oleaginosas e podem começar a operar comercialmente já no ano que vem.

Quando começarem a operar de modo contínuo, as duas plantas terão, somadas, capacidade para produzir entre 18 mil e 20 mil toneladas de biodiesel por ano, o suficiente para abastecer o mercado potiguar da mistura de 5% (B5) de biodiesel ao diesel comum, que só começará a ser obrigatória em 2013. Ao todo, a Petrobras está investindo cerca de R$ 20 milhões nesses dois projetos.