O processo, cientificamente falando, está funcionando de modo errado. Devido à beleza das cavernas brasileiras, a cada ano aumenta o número de pessoas interessadas em visitá-las. A conseqüência imediata é o aumento do impacto ambiental, uma vez que os responsáveis pela exploração dessas áreas subterrâneas se apressam em arrumar maneiras de ganhar dinheiro com os visitantes.

O problema pode ser dividido em partes, segundo Paulo Boggiani, espeleólogo e pesquisador do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo. "Existe, primeiro, a questão científica. Muitas cavernas, mesmo antes de serem estudadas, estavam abertas à visitação. A perda de informação geológica, biológica e ecológica está sendo grande, calcula Boggiani.

Para o pesquisador, que coordenou estudos nas regiões de Bonito (MS), o problema do impacto cavernícola tem ainda mais duas partes: uma legal e outra de saúde pública. "As cavernas são consideradas bens da União. A questão da cobrança deve ser melhor discutida, pois equivale a pagar para entrar em uma praia", acredita.