Um pesquisador italiano anunciou que encontrou a maneira de distinguir sem equívocos uma célula jovem de uma velha, em um descobrimento que pode fornecer a chave para a compreensão do envelhecimento humano e acrescentar novos e importantes conhecimentos sobre os tumores.

O estudo, publicado na revista “Nature”, foi realizado pelo pesquisador italiano Fabrizio d?Adda di Fagagna, de 37 anos. O trabalho começou na Inglaterra e prossegue agora em Milão, no Instituto Firc de Oncologia Molecular.

“Ao contrário das jovens, as células velhas emitem um sinal de alerta claramente reconhecível, que interrompe a reprodução celular devido ao encurtamento dos telômeros, as extremidades do DNA”, explicou d?Adda di Fagagna.

A saúde de uma célula, jovem ou velha, está vinculada ao bom funcionamento de uma série de mecanismos metabólicos, que asseguram a subministração de nutrientes e oxigênio. Segundo o especialista, o ciclo celular marca a vida da célula e decide quando é o momento de se reproduzir, ou seja, se dividir para originar duas novas células. Nesse momento, o DNA da célula-mãe se desdobra para que as “células-filhas” possam herdar todo o patrimônio genético.

A duplicação do DNA e a conseqüente divisão celular se interrompem quando a célula se torna velha, o que significa que, apesar de manter em funcionamento seus mecanismos de metabolismo, já não é capaz de se multiplicar.

O pesquisador italiano descobriu que quando os telômeros são muito curtos ou estão danificados ativa-se um sistema de emergência específico, correspondente à ruptura irreversível do DNA. “Na prática, é como um sinal que diz ?atenção, o DNA está com problema, parem imediatamente a divisão?. Assim, para evitar propagar o dano genético às gerações sucessivas de células, o ciclo se detém e a célula entra em fase de envelhecimento”, explicou o cientista.

“Uma das conseqüências mais interessantes de nosso descobrimento é que esse sinal de alarme pode ser detectado facilmente em laboratório, com marcadores adequados”, acrescentou.