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Sistema serve para presos em regime semi-aberto.

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou, na última semana, projeto que cria um monitoramento eletrônico em presos que cumpram regime semi-aberto, tenham direito a saídas temporárias ou liberdade condicional. A proposta ainda permite ao juiz trocar a prisão preventiva por esse tipo de controle externo.

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O tipo de monitoramento, que pode ser por cinto, pulseira ou tornozeleira, por exemplo, ficará a critério de cada estado, desde que não exponha o preso. A proposta é terminativa e agora seguirá para votação na Câmara. O diretor-geral do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), Maurício Kuehne, garantiu que o monitoramento eletrônico será feito de forma discreta, sem estigmatizar ou humilhar o indivíduo.

?Não vai ser um chip, porque essa questão de invadir o corpo do indivíduo, de colocar algum objeto no corpo de um indivíduo, pertence a um passado que a gente quer esquecer. Temos de pensar uma forma que ele possa cumprir a sanção determinada pela sociedade, mas sem que tenha qualquer conotação estigmatizando-o ou que venha humilhá-lo, ofender o seu corpo?, afirmou ele, em entrevista à Agência Brasil.

O sistema de monitoramento eletrônico já é utilizado em países como Estados Unidos, França, Portugal, Espanha e Inglaterra, e funciona por meio de um transmissor adaptado na pulseira ou tornozeleira. O dispositivo envia para um banco de dados a localização exata do preso fora do presídio. Kuhene disse que é preciso pensar em algo discreto e que, ao mesmo tempo, permita que a Justiça exerça a sua função fiscalizatória. ?Presentemente não há qualquer tipo de fiscalização e é necessário que alguma coisa exista para que o indivíduo se sinta fiscalizado e sirva como freio inibitório para suas práticas delitivas?, disse Kuehne. ?Se o individuo tiver que cumprir uma determinada pena, mesmo que em meio livre, e for monitorado eletronicamente dentro da área do Distrito Federal, por exemplo, se ele sair para algum outro estado ou para fora da região determinada, o monitoramento eletrônico vai acusar isso e verificar, eventualmente, que tipo de sanção poderá ser aplicada a esse transgressor?, concluiu.

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Hoje, o controle dos presos em liberdade condicional se efetiva com a apresentação dessas pessoas à Justiça, numa data fixada pelo juiz, que pode ser semanal ou mensal.

Sistema permite redução de gastos

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Segundo estimativa do próprio Depen, cerca de 120 mil brasileiros seriam beneficiados pelo novo sistema. A proposta permite o que se chama de ?mobilidade vigiada? e ainda possibilita redução de gastos. Pela proposta, só os presos que cumprem pena por crimes considerados de média e baixa periculosidade seriam submetidos ao sistema de monitoramento. Os acusados de crimes hediondos, estupradores, traficantes e seqüestradores estariam fora da abrangência da proposta.

O mecanismo de monitoramento em estudo mostra que é possível controlar via satélite os passos de pessoas através de pulseiras ou tornozeleiras. Feitos de material emborrachado e com eletrodos na parte interna, os equipamentos podem ser disfarçados debaixo de mangas de camisas ou de calças compridas. A estimativa é que cada pulseira ou tornozeleira custe, em média, R$ 600. Se todos os presos em regime semi-aberto fossem submetidos ao monitoramento, o gasto do governo federal seria de R$ 72 milhões.

No início do ano, o casal Estevam e Sônia Hernandes, fundadores da Igreja Renascer em Cristo, foram detidos em Miami, nos Estados Unidos, por sonegação fiscal. À espera do julgamento, eles ficaram em liberdade e foram monitorados, durante um tempo, por chips presos a duas tornozeleiras.