Uma pesquisa recente realizada por dois psicólogos da Universidade de Northwestern mostrou que, quando colocadas na posição de abordar potenciais parceiros, mulheres não são necessariamente mais seletivas do que os homens. A descoberta vai contra a clássica explicação evolucionária sobre a seleção de parceiros. Vários estudos anteriores sugeriam que mulheres são influenciadas por fatores relacionados à capacidade de ter e criar filhos, e, por isso, seriam mais seletivas na hora de escolher o parceiro.

As mulheres que participaram do estudo participaram de um evento de speed dating, no qual vários homens aguardaram a abordagem das mulheres, que circulam pelo evento, conhecendo os pretendentes. 350 estudantes foram recrutados para o estudo. Na metade dos eventos, os homens andavam pelo salão, enquanto as mulheres aguardavam sentadas. Nos outros eventos, era o contrário.

Após cada “mini encontro” de quatro minutos, as mulheres indicavam o seu grau de interesse no parceiro, e depois também respondiam em um site se teriam ou não interesse em rever o parceiro. Quando os homens faziam a seleção, os resultados confirmaram que eles são menos seletivos, porém, quando as mulheres fizeram, a diferença entre os sexos desapareceu.

Tradicionalmente em eventos de speed dating, a abordagem é feita pelos homens, mas, para o estudo, era importante que as mulheres forem as seletoras: “O ato de se aproximar fisicamente de um parceiro em potencial, ao contrário de ser abordado, parece aumentar o desejo pelo parceiro”, afirma Eli Finkel, professor de psicologia que participou do estudo.

O poder da seleção

Independente do gênero, aqueles que participaram da experiência selecionando os parceiros tiveram maiores desejos românticos, quando comparados com aqueles que aguardaram a abordagem. Os selecionadores tendem a ter um maior interesse em ver seus parceiros novamente. “Considerando que geralmente é esperado que os homens abordem a pessoa por quem se interessam, as implicações do estudo são intrigantes”, afirma Finkel. Paul Estwick, colega de Finkel, acrescenta: “Não há dúvidas que ainda hoje existe uma grande diferença na expectativa de quem deve ir até o outro e se apresentar”.

O estudo foi realizado baseado em pesquisas que apontam que ações físicas causam alterações na percepção. “A pesquisa mostrou que nossa atividade física e nossos processos psicológicos interagem de modo que extrapola a dimensão da consciência”, acredita Finkel. Os pesquisadores sugerem que a confiança também pode ter tido efeito sobre os resultados: o fato da pessoa que faz a abordagem se sentir mais confiante por causa de sua posição de poder pode deixá-lo menos seletivo.

A pesquisa demonstra como regras de comportamento geralmente aceitas (como o fato dos homens fazerem a seleção nos eventos de speed dating) não apenas afeta os resultados de estudos, mas também diminui as chances de um participante dos eventos de sair com um potencial parceiro. “Nossa sociedade é estruturada separando os gêneros, de um modo sutil, mas muito poderoso”, conclui Eastwick.