Há 17,5 milhões de anos, durante a época do Mioceno, uma grande mudança climática natural ocorreu no hemisfério Norte, principalmente na Europa Central e Ocidental. Os invernos ficaram menos frios, as médias anuais de temperatura subiram e as chuvas aumentaram. Uma das conseqüências diretas desse processo de transformação climática, revelada agora por um estudo paleontológico publicado na edição de maio da revista Geology, foi uma migração de grandes proporções pelo continente, de peixes que respiram o ar atmosférico diretamente. Esse grupo, da família Chanidae, é conhecido pelo nome popular de cabeça-de-cobra. O centro irradiador da migração, como mostra o estudo, ocorreu no sul da região do Himalaia. Para chegar aos resultados, o cientista M. Böhme, do Departamento de Paleontologia da Universidade de Munique, na Alemanha, investigou 515 fósseis dos últimos 50 milhões de anos, coletados na Europa, Ásia e África. O que o cientista alemão observou, na prática, é que houve uma melhoria das condições climáticas para esse tipo de peixe de água doce e que, por isso, eles se espalharam por uma área onde as chuvas aumentaram de quantidade. “Como, naquela época, o clima se tornou mais seco na região mediterrânea, no oeste da Europa e na Árabia, Mongólia, China e Japão, os peixes analisados fugiram dessas localidades”, disse. Como nessas regiões mais secas o clima voltou a ficar mais úmido, entre 4 milhões e 8 milhões de anos atrás, por causa da intensificação das chamadas monsões asiáticas, os peixes retornaram à região, como mostra o estudo. Essa distribuição formatada no passado, continua mais ou menos igual até os dias atuais. A pesquisa mostra que os peixes da família Chanidae são indicadores sensíveis às precipitações máximas de verão em zonas subtropicais e temperadas. “Eles estão sempre presentes em áreas onde chove mais que 150 milímetros por mês e onde as temperaturas são superiores aos 20ºC”, disse Böhme.