As grandes hidrelétricas, como a de Tucuruí, no Pará, surgiram no cenário amazônico nos anos 80. Como tais usinas precisam de grandes reservatórios, uma das primeiras conseqüências para o ambiente foi a derrubada da floresta. Desse modo, o cenário para o desenvolvimento de epidemias de malária começava a se formar. Com base nesse conhecimento histórico e ecológico, a ecóloga goiana Cíntia Honório Vasconcelos, formada pela Unesp de Rio Claro, resolveu investigar se imagens de satélite poderiam ser úteis para estudar a expansão da doença no território amazônico. O foco foi feito em municípios próximos ao reservatório de Tucuruí. A conseqüência imediata da pesquisa foi a geração de mapas de áreas de risco de malária nas cidades paraenses de Jacundá, Tucuruí e Novo Repartimento. As imagens, que revelam a cobertura vegetal por intermédio de metodologias matemáticas, foram cruzadas com séries históricas de malária para a região. O trabalho foi apresentado como tese de doutorado defendida na Escola de Engenharia de São Carlos, da Universidade de São Paulo, com orientação da professora Evlyn Novo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Nos três municípios analisados, a correlação entre as figuras e os pontos georreferenciados do mundo real se mostrou positiva. No caso de Jacundá, por exemplo, 60% das áreas onde ocorreram casos de malária nos últimos oito anos estavam dentro da área do mapa considerada de alto risco. Esses dados são referentes a 1996.