A biomassa de soja pode
ser utilizada na composição.

Até novembro, o governo federal deve regulamentar o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, que é o desenvolvimento de combustível a partir da utilização de biomassas (soja, girassol, algodão, dendê, buriti, mamona, etc). Obtido de óleos vegetais, o biodiesel pode ser usado puro ou misturado ao diesel sem a necessidade de adaptação para o uso em motores. Além de garantir um aumento na produtividade, o País economizará na importação de combustível. Segundo dados do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), o Brasil importa cerca de 18% do diesel que utiliza.

A regulamentação só deve sair em novembro, e por enquanto, apenas testes estão sendo realizados em conjunto com universidades e órgãos de tecnologia estaduais. No Paraná, um trabalho feito em conjunto entre a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e o Instituto Tecnológico do Paraná (Tecpar) desenvolveu a partir de ésteres de óleo de soja um combustível para substituir o derivado do petróleo para fazer funcionar um automóvel.

Os testes foram feitos com um modelo Golf diesel 1.9 turbo, cedido pela Volkswagen/Audi, de São José dos Pinhais, no período de seis meses. Segundo o responsável pelo Laboratório de Biodiesel do Tecpar, Bill Jorge Costa, o veículo funcionou com perfeição, já tendo rodado cerca de 50 mil quilômetros. “O veículo passa por uma revisão da própria empresa, mas não apresentou problemas referentes ao combustível utilizado”, contou.

Ele destaca que vários estudos estão sendo realizados para a implementação da produção de biodiesel em todo o Estado. “Junto com a Secretaria Estadual de Ciência e Tecnologia, com a Emater e com outros órgãos estaduais estamos discutindo a possibilidade de instalar o programa em todas as regiões. Dependemos de recursos para que isso seja possível e continuamos analisando algumas propostas”, explica. O Fundo Paraná, que é uma parceria do Estado com o MCT para a implantação de uma planta-piloto de produção do biodiesel deve ser concretizado até o final do mês.

Outro ponto importante do programa que está para ser regulamentado se refere à questão social e econômica. Bill destaca que o potencial nacional para produção do biodiesel é enorme e que com o programa o crescimento deve ser renovado. “Temos grande quantidade de áreas rurais e com qualidade para produção da biomassa. Com esses estudos, e as possíveis instalações de usinas nas regiões, os pequenos agricultores poderão desenvolver novas culturas, gerando mais empregos e renda para a população dessas regiões”, diz.

Na quarta-feira, a ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff esteve reunida com produtores de óleo vegetal para discutir a formulação do programa a ser regulamentado. Entre as linhas já preestabelecidas, Dilma antecipou que a produção do biodiesel será de 2% em 2005 e, progressivamente, atingirá 5% em 2009. Além disso, o governo deverá estimular a criação de uma frota formada por veículos 100% movidos a biodiesel. “Como ainda estamos na fase de desenvolvimento e aprimoramento do combustível, as metas de produção têm que ser controladas. Precisamos de um parâmetro para que a qualidade do combustível não seja comprometida. Conforme o programa for regulamentado, a tendência é de crescimento moderado, mas a expectativa é que o país passe a produzir cerca de 20% de biodiesel”, disse Bill.