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Berman: ninguém havia comprovado através de uma fórmula exata.

A única parte da teoria geral da relatividade, descoberta por Albert Einstein, que ainda não havia sido comprovada foi analisada pelo físico paranaense Marcelo Samuel Berman. No final do ano passado, ele publicou um artigo no site da universidade norte-americana Cornell (www.arxiv.org) comprovando a existência do gravitomagnestismo. Esse fenômeno acontece quando as massas em rotação geram uma interação gravitacional adicional da mesma forma que as correntes elétricas geram campos magnéticos.

"Ou seja, um buraco-negro em rotação gera um campo gravitomagnético. Como essa teoria vale para grandes massas, acontece também com a Terra", explicou Berman, lembrando que esse efeito já havia sido previsto por Einstein e pelos cientistas austríacos Lense e Thirring, em 1921. "Mas ninguém havia comprovado isso através de uma fórmula exata como fiz agora", destacou.

Também no ano passado, a revista Nature, publicou artigo assinado por Erricos Paulis e Ignácio Ciufolini, que comprovaram a existência do fenômeno através de experimentos.

A fórmula descoberta por Berman, além de comprovar a existência do gravitomagnetismo, também apresenta outras conclusões interessantes. Ela explica a teoria geral da relatividade de Einstein, que se refere a espaços curvos e efeitos gravitacionais. "Minha fórmula é diferente da apresentada pelo indiano Virbhadra. Quando se reduz a fórmula dele não se chega a fórmulas já conhecidas em casos particulares. No caso da minha isso acontece. Esse princípio de redução até fórmulas já conhecidas era utilizado por Einstein", explicou.

Pela fórmula desenvolvida por Berman, a teoria da superunificação parece distante. Um buraco-negro surge quando uma estrela perde as formas de energia em seu interior, já que suas rações nucleares acabam, restando apenas a gravidade. Essa gravidade atrai as partículas de massa para apenas um local, de uma forma a criar um colapso gravitacional. Essa massa compactada é tão poderosa que não deixa nem a luz escapar, daí a palavra buraco-negro. Einstein já havia falado que essas partículas nunca iriam chegar a se reduzir a apenas uma, mas não havia comprovado isso através de uma fórmula. Já o inglês Stephen Hawking, favorito para ganhar o Prêmio Nobel de Física deste ano, afirma que é possível sim a redução a apenas um ponto. "Einstein estava certo. Eu descordo de Hawking. Usando a fórmula que desenvolvi chega um momento em que a energia fica negativa, ou seja, cria-se a antigravidade. Nesse caso não há mais a atração e sim a repulsão", explicou.

Expansão

Berman escreveu um capítulo para um livro sobre buracos-negros da editora norte-americana Nova Science. Nesse capítulo, que será publicado em Nova York, além do gravitomagnetismo, ele explica questões importantes da física mundial, como a constante cosmológica e a afirmação de Hawking, de que o universo está envolto numa casca de noz. "Eu provo que o universo de Hawking só existe se essa casca de noz for um buraco-negro", salientou.

Quanto à constante cosmológica, criada por Einstein, para comprovar que o universo não estava em expansão, e posteriormente desmentida pelo próprio Einstein, que aceitou o crescimento do universo, Berman explicou que ela não é uma constante. "É sim um termo variável que decresce com a idade do universo", salientou.

Berman nasceu a Argentina, mas é naturalizado brasileiro e mora há 50 anos em Curitiba. Ele é cosmólogo, formado em Física Teórica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tem mestrado no Instituto de Tecnologia da Aeronáutica (ITA), onde chegou também a lecionar, e doutorado na UFRJ. No próximo ano, ele pretende se dedicar ao livro O Problema da Constante Cosmológica, que será publicado também pela Nova Science.