O Brasil gasta, anualmente, US$ 150 milhões com a importação de hemoderivados -proteínas obtidas a partir do plasma, utilizadas no tratamento de doenças como a hemofilia A e B e como matéria-prima na produção de vacinas. A única fábrica brasileira, instalada em Pernambuco, produz apenas a albumina humana e atende só 7% do mercado. Desde 2000, o País faz planos de construir uma fábrica para substituir importações e atender a demanda do mercado. Dois projetos concorrentes – um da União e o outro de São Paulo – estão sendo arquitetados. O primeiro deles – previsto na política industrial, tecnológica e de comércio exterior – é da Empresa Brasileira para o Fracionamento do Plasma, já batizada de Hemobras, orçado em US$ 60 milhões. A futura empresa vai produzir albumina humana, imunoglobulina, complexo protombínico, fator VIII e fator IX – utilizando tecnologia de fracionamento do plasma sangüíneo – para atender parte da demanda do Sistema Único de Saúde (SUS), de acordo com Beatriz Macdowell, gerente-geral da área de sangue, outros tecidos, células e órgãos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. “Estamos preparando edital para a transferência de tecnologia de fracionamento de plasma no País. A fábrica de hemoderivados deve estar em operação em três ou quatro anos”, prevê. O segundo projeto é do Instituto Butantã, em São Paulo. A fábrica paulista utilizará a cromatografia para obter hemoderivados, uma tecnologia distinta da do fracionamento de plasma adotada pela Hemobras. “Será a primeira fábrica a utilizar esse modelo em todo o mundo”, garante Otávio Mercadante, diretor do Butantã.