A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen) está expondo neste fim de semana seu trabalho de quarentena vegetal na 22.ª Feira Botânica do Shopping CasaPark, em Brasília. A unidade é responsável pela análise da entrada de espécies vegetais no País. Todas são analisadas para verificar se contêm pragas que podem contaminar as culturas agrícolas brasileiras. O objetivo é afastar a possibilidade de um ataque por inseto, fungo, vírus, bactéria, ácaro ou nematóide.
Quando alguma praga é detectada, os pesquisadores tratam a planta para que seja encaminhada às instituições de pesquisa. Se aparecer alguma praga para a qual não exista tratamento, a planta então é incinerada. Para evitar o aparecimento de pragas, é importante também a conscientização de pessoas que viajam ao exterior e que podem trazer na bagagem alguma espécie exótica inadvertidamente. A atitude pode causar danos irreparáveis à agricultura ou aos ecossistemas brasileiros. Em conseqüência disso, a unidade procura divulgar seu trabalho como forma de esclarecer a sociedade sobre os efeitos da entrada de material vegetal no país, em eventos como a feira botânica e também por meio de campanhas periódicas feitas pelo Ministério da Agricultura, em portos e aeroportos.
O Cenargen apresentará, na feira, o livro Fungos de Expressão Quarentenária para as Fruteiras de Clima Temperado no Brasil, editado por equipe de pesquisadores e estudantes de pós-graduação, coordenada pela fitopatologista Marta Aguiar Sabo Mendes. A obra descreve 29 espécies de fungos exóticos que ocorrem em uva, maçã, ameixa, pêssego, pêra, cereja e em algumas outras plantas hospedeiras de clima temperado. Outro produto à disposição do público será o CD-Rom “Insetos de importância quarentenária”, desenvolvido por pesquisadores e pós-graduandos coordenados pela entómologa (especialista em insetos), Maria Regina Vilarinho de Oliveira. O material digital lista 502 insetos considerados de expressão quarentenária para o Brasil.
Risco
O risco da entrada de pragas é econômico, ecológico e até mesmo cultural. A banana, por exemplo, fruta de alto consumo no país, já teve seus dias contados depois que pesquisadores estrangeiros divulgaram pesquisa sobre a Sigatoka Negra, em 2003. A notícia assustou os brasileiros amantes da fruta, rica em potássio, vitaminas e nutrientes. Doença causada por um fungo que se transmite pelo ar, a Sigatoka Negra ataca bananeiras da América Central, África e Ásia e, no Brasil, está restrita à região Norte. Estudos da Embrapa mostram que a ameaça não se restringe à banana. Mais de 200 frutas e hortaliças podem estar em vias de extinção devido ao ataque de pragas.