E o iPhone chegou. Mais de um ano depois de ser lançado nos Estados Unidos, o eletrônico mais esperado dos últimos tempos – um smartphone que mistura celular, câmera, tocador de mp3 e inúmeras outras funções, tudo em uma tela sensível ao toque – finalmente estreou de forma oficial no Brasil, na última sexta-feira, através das operadoras Vivo e Claro.

Mas muitos brasileiros não quiseram esperar essa data, e já usam o aparelho há um bom tempo. O Estado conversou com alguns deles, para tentar descobrir por que esse dispositivo fabricado pela Apple é tão desejado.

A maioria das respostas teve pelo menos dois itens em comum: o tocador de mídia e a navegação na internet. Não pelo simples fato do iPhone ter essas funções, que são comuns na maioria dos celulares modernos. A diferença, para eles, está na forma como elas funcionam.

As músicas, vídeos e fotos são acessadas por uma interface semelhante à do iPod, um dos tocadores mais famosos do mundo. E o acesso à web é feito através de um navegador semelhante aos usados nos computadores.

Para melhorar, é só girar o aparelho 90 graus, que – graças a um sensor chamado acelerômetro – automaticamente a tela vira junto, ficando em um formato mais adequado à leitura.

Para o empresário José Rodolpho Bernardoni, a quantidade de aplicativos que podem ser baixados da internet, a tela sensível ao toque, ter o iPod embutido e o acesso à internet em uma tela grande são as principais qualidades do aparelho. Ele comprou o dele em dezembro do ano passado, durante uma viagem aos EUA.

“Não comprei por impulso. Já conhecia o aparelho e achava bacana”, explica, dizendo que não pretende trocar pelo modelo 3G – o que foi lançado esta semana, com acesso mais veloz à internet. Mas diz que gosta tanto do aparelho que, quando trocá-lo, pretende continuar usando a marca.

Velocidade

A versão que a grande maioria dos brasileiros usa é a conhecida como 2G, com algumas diferenças em relação ao modelo 3G, que chegou ao Brasil. As principais novidades são a possibilidade de acesso à internet através da mais rápida rede 3G, e a existência de GPS. Mas a maioria das outras funções estão disponíveis nos dois.

Enquanto Bernardoni planejou a compra, a jornalista Giovana Olicshevis confessa que adquiriu por causa da exposição maciça do telefone na mídia. Também em uma viagem aos EUA, este ano, ela foi à loja da Apple e acabou conquistada de vez pelo aparelho.

Mesmo duas semanas antes do lançamento da versão 3G, e sabendo que o iPhone estava prestes a ser lançado no Brasil, decidiu comprá-lo. “Não queria esperar”, justifica, dizendo que não se arrepende da compra: “Aqui é tão caro”, reclama.

O administrador de empresas Rodrigo Conci Pereira é outro fã do aparelho. Encomendou o dele no início do ano, de colegas norte-americanos da empresa. “É muito bom para checar e-mails, acessar a internet. A câmera também é boa, e uso bastante o iPod. Também dá para baixar vários programas”, conta. Ele instalou, por exemplo, um simulador de calculadora científica e um aplicativo que mostra em um mapa a localização do aparelho.

Desbloqueio

Não tem jeito. Todos os usuários que compraram o iPhone nos EUA tiveram que desbloquear seus aparelhos para conseguir usá-los no Brasil. Isso porque eles vêm bloqueados de fábrica, para uso apenas pela operadora norte-americana AT&T, que tem exclusividade do telefone naquele país.

Mas poucos dias depois do lançamento do aparelho, já pipocavam na internet métodos para liberar o dispositivo para uso em qualquer operadora – inclusive em outros países.

Apesar de muitas pessoas venderem o serviço de desbloqueio, ou comercializarem o aparelho já destravado, o processo não é complicado. Todos os usuário,s o fizeram através de programas encontrados na internet.

Mas nem tudo são flores: eles não podem, por exemplo, instalar eventuais atualizações do sistema, que a Apple disponibiliza com alguma freqüência – os upgrades fazem o bloqueio voltar. O processo também pode causar travamentos no sistema. Pelo menos é o que acontece com o aparelho de Giovana.

Outra reclamação constante dos usuários é com a função mais básica do aparelho: as ligações. “O sinal é baixo”, diz Bernardoni. Pereira também reclama: ele diz que é comum perder ligações, que caem direto na caixa postal. “Nos aparelhos mais simples as ligações não caem tanto”, avalia. De acordo com a Claro e a Vivo, nos aparelhos 3G, já otimizados para o uso nas redes locais, o problema não deve se repetir.

O mais caro em toda a América do Sul

Aliocha Mauricio
Apenas a Claro oferece iPhone na versão pré-paga a partir de R$ 2.299.

O lançamento do iPhone no Brasil gerou batalhas à parte entre as operadoras Vivo e Claro, nos bastidores. O resultado foi uma grande diversidade de planos e preços do aparelho. Mas mesmo assim, oferecem o iPhone mais caro em toda a América do Sul.

Na Vivo, líder do mercado no Brasil, a opção foi privilegiar clientes atuais da empresa. Vários receberam ligações de vendedores oferecendo o aparelho. Já a Claro, que disputa o segundo lugar com a TIM, optou por permitir a compra a qualquer interessado.

Os planos são bastante variados. Começam no pré-pago, oferecido pela Claro, passam por valores razoáveis de R$ 64 mensais, no plano iPhone 50 da Vivo, ou R$ 87,34, no iPhone 200 da Claro. E vão até opções mais abrangentes, que podem chegar a R$ 156,28 – plano iPhone 400 da Claro – ou R$ 555, como no plano iPhone Completo da Vivo, com 1400 minutos de ligações e acesso ilimitado à internet.

O valor do aparelho varia bastante conforme o plano. A Vivo oferece o preço mais baixo – R$ 899,00 -, mas apenas para quem assinar o plano iPhone Completo. A maioria dos valores fica mesmo entre R$ 1.000 e R$ 2.000.

Na opção pré-pago – oferecida apenas pela Claro -, em que não há nenhum subsídio no aparelho, os preços assustam: R$ 2.299 no modelo com 8 GB de memória, e R$ 2.599 no modelo com 16 GB.