Pela primeira vez, pesquisadores fabricaram um príon em laboratório e o usaram para infectar animais. Um dos autores do estudo é o cientista americano Stanley Prusiner, ganhador do Nobel em 1997 pela descoberta do príon, proteína que existe naturalmente no organismo mas que pode se tornar infecciosa quando sua estrutura é alterada.

Segundo os cientistas, a pesquisa demonstra que essas proteínas são a única causa do mal da vaca louca e que não dependem da presença de um agente infeccioso comum, como vírus ou bactéria, para desencadear uma doença.

O estudo, publicado na edição desta sexta-feira da revista Science, pode ajudar no desenvolvimento de tratamentos para um conjunto de doenças incuráveis causadas pelos príons modificados. A lista é vasta e as doenças parecem relacionadas umas com as outras, como o scrapie nas ovelhas, a encefalopatia espongiforme bovina (mal da vaca louca), o mal de Creutzfeldt-Jakob (que parece surgir espontaneamente) e a variante dessa doença que ficou conhecida como vCJD, considerada a forma humana do mal da vaca louca porque sua ocorrência está associada ao consumo de produtos bovinos contaminados.

Depois de induzir bactérias a produzir trechos modificados do príon e inseri-los na forma integral da proteína, os cientistas injetaram o príon sintético no cérebro de camundongos. Os animais haviam sido alterados para se tornarem mais suscetíveis a doenças provocadas pelo príon. Levou um ano para os animais começarem a apresentar sintomas, mas, segundo os pesquisadores, o efeito da proteína modificada sobre os animais foi claro.

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