Existe uma tendência de que as operadoras de telefonia móvel no Brasil ofereçam conteúdo de TV digital paga com base na tecnologia européia para isso, do padrão DVB-H, de acordo com o diretor de Relações Corporativas para América Latina da Nokia Siemens Network, Mário Baumgarten. Os argumentos do executivo são de dois tipos: econômicos e jurídicos.

De acordo com ele, a legislação que estabeleceu que o padrão de TV digital fosse nipobrasileiro não foi específica sobre telefonia móvel, abrindo a possibilidade legal de uso da tecnologia européia pelas operadoras. "Nada impede que a operadora de celular ofereça conteúdo pago sob demanda com tecnologia 3GSM/DVB-H. São produtos existentes e de rápida evolução de cobertura com subsídio da operadora por aparelho", afirmou em palestra ao Conselho de Telecomunicações da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) ontem.

Baumgarten disse que as operadoras podem tomar esse caminho sozinhas, mas advogou que elas entrem em acordo com as emissoras de televisão para "a operadora de celular empacotar conteúdo (de TV aberta) para seus clientes" como novelas e telejornais.

Preço

O especialista afirmou que os preços dos primeiros conversores de TV digital no Brasil estão saindo a US$ 300 e US$ 400, enquanto na Europa existem modelos do padrão DVB a partir de 25 euros, cerca de US$ 35. O menor preço seria uma conseqüência da maior escala do padrão europeu, adotado em vários países, enquanto o modelo japonês seria restrito ao Japão e ao Brasil.

De acordo com ele, o preço dos aparelhos celulares com TV digital no padrão escolhido seria muito alto para a renda dos consumidores brasileiros. "No Japão é possível porque lá a renda per capita é uma das mais altas do mundo", disse. O celular sairia com preço alto não só pelo alto custo de fabricação, mas também porque as operadoras não teriam interesse em subsidiar esse tipo de terminal, afirmou.