Assim como a dor de cabeça, a tontura é um sintoma bastante recorrente nos dias de hoje. Só que, por ser tão comum, fica difícil saber o que está acontecendo no nosso organismo quando tudo começar a girar, ainda mais porque ela pode representar muitas coisas, umas mais simples, outras mais sérias. Entre as causas, podem estar gripes, distúrbios hormonais, reações a medicamentos ou doenças neurológicas ou cardiovasculares.

No entanto, entre 70% e 80% dos casos, a tontura tem origem em distúrbios do labirinto, o sistema que reúne os órgãos do ouvido interno, segundo a fonoaudióloga Helena Rocha. Apesar de ser comum as pessoas se queixarem de labirintite, ela explica que esta é apenas uma das 300 patologias possíveis, relacionadas ao labirinto com a tontura como sintoma. “Na verdade, este é um jargão que as pessoas usam para se referir a quem tem tontura, mas a labirintite não é comum nos consultórios”, explica.

De acordo com ela, essa confusão pode acabar fazendo com que os pacientes tratem a tontura de maneira errada, o que pode ser bastante perigoso, ainda mais se houver automedicação, pois isso pode mascarar a doença. Para a otorrinolaringologista e otoneurologista Rita de Cássia Cassou Guimarães, toda tontura deve ser investigada. “É preciso procurar um especialista já na primeira vez que a pessoa sentir a tontura, pois algumas doenças labirínticas podem evoluir para problemas ainda mais sérios, causando até mesmo perda de audição, se não forem tratadas”, explica.

Segundo ela, a perda de audição é irreversível. Por isso, é preciso prestar bastante atenção nas manifestações da tontura labiríntica e correr para o médico quando percebê-la. “Quando está relacionada a algum distúrbio no labirinto, a tontura pode vir associada a outros sintomas, como náuseas e dificuldades auditivas. Além disso, ela se manifesta em crises, não evoluindo de maneira gradativa, como acontece quando a causa é outra”, comenta. É aí que mora o perigo, pois, na maioria das vezes, o paciente toma um medicamento que faz os sintomas passarem, mas não trata a causa.

Entre as patologias mais frequentes, estão a vertigem postural (paciente sente tontura só em uma determinação posição), a Doença de Ménière (acompanhada de zumbido), a neurite vestibular (principalmente no Sul, devido a mudanças climáticas) e quadros virais de modo geral, segundo Helena. Apesar de ainda ser considerada “frescura” por muita gente, a tontura pode ser motivo de muita preocupação, portanto. É um sintoma que pode acometer pacientes de todas as idades e de ambos os sexos, mas, segundo a fonoaudióloga, as mulheres acima de 45 anos têm mais propensão devido às disfunções hormonais relacionadas à menopausa.

Somente com um diagnóstico correto, é possível avaliar qual o melhor tratamento, pois ele depende da identificação da causa do sintoma. “Ele pode ser feito com medicação, cirurgia ou a reabilitação vestibular, que é um tratamento terapêutico feito com exercícios e aparelhos estimuladores na recuperação de sistemas ligados à tontura”, explica Helen. Entretanto, Rita garante que somente 1% dos pacientes com problemas no labirinto sofrem intervenções cirúrgicas.

Distúrbio pode ter causa neurológica

Apesar de a maioria dos casos de tontura estar relacionada a danos no labirinto, o sintoma também pode ter origem no sistema neurológico e é preciso estar atento às manifestações que a acompanham, pois, os sintomas são um pouco diferentes neste caso. “É preciso entender que existe uma grande diferença entre a tontura e a falta de equilíbrio, que é mais séria, pois sempre é um problema neurológico”, comen,ta o neurologista Paulo Rogério Mudrovitsch de Bittencourt.

Ele explica que a tontura é algo subjetivo, que a pessoa sente. Já a falta de equilíbrio é um sintoma mais objetivo, perceptível até mesmo para outras pessoas. “A tontura pode ser causada por problemas no labirinto ou apenas porque as pessoas não estão dormindo bem, não estão bem alongadas, sofrem de distúrbios de humor ou, no caso das mulheres, porque sofrem alto impacto com saltos duros, como sapatilhas”, explica. Nestes casos, o médico sugere que o paciente faça uma avaliação de si mesmo antes de procurar um médico para saber a origem do sintoma.

“Por sua vez, quando o problema é falta de equilíbrio, a pessoa fica incapacitada e isso pode representar um problema séria, como a esclerose múltipla, doença que atinge bastante as mulheres jovens, de 30 e poucos anos, causando muitos danos em células nervosas”, completa. Esta é apenas uma das possibilidades entre as doenças neurológicas que geram tontura, mas somente um exame clínico neurológico é capaz de identificar corretamente as causas e o tratamento necessário.