Trabalhar com emprego fixo, registrada em carteira assinada e com todos os benefícios previstos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) é o sonho de muita gente. Mas algumas pessoas conseguem se sustentar e obter bons resultados profissionais de uma maneira diferente, trabalhando de forma autônoma, com os chamados trabalhos freelancer. Esta maneira de trabalhar é uma opção para quem está entrando no mercado de trabalho, quem busca novas experiências ou até mesmo para quem não gosta de rotina e de bater o cartão ponto todos os dias.

Quem garante que é mais feliz atuando desta maneira é a fotógrafa autônoma Emi Hoshi, 33. Ela já trabalhou em empresas desempenhando outras funções, mas há cinco anos se dedica exclusivamente à fotografia. “Sou autônoma e gosto do que faço. O principal motivo que fez com que eu optasse pelo trabalho autônomo foi a minha saúde. Tenho artrite reumatoide, uma doença sem cura que atualmente está controlada, mas que precisa de acompanhamento frequente, com consultas e a realização de exames médicos”, conta.  

Emi relata que mesmo sendo uma boa funcionária, as faltas e atestados médicos desgastaram a relação com os antigos empregadores. E apesar de estar satisfeita com sua escolha, ela diz que o início não foi nada fácil. “Comecei de grão em grão. Mas graças a indicações e recomendações de clientes já tenho certo reconhecimento no mercado”, afirma. Ainda assim as finanças continuam sendo um desafio. “Para a maioria das freelancers a questão financeira é a que mais impacta na careira. Temos períodos muito bons e alguns desfavoráveis”, explica. De acordo com ela, a Copa do Mundo, por exemplo, foi período ruim para o mercado, com poucas festas e eventos. Já o fim do ano costuma ser uma época de muito trabalho.

A designer editorial Fabíola Penso, 27, compartilha da mesma visão sobre o trabalho autônomo. “O principal benefício é de fazer o seu próprio horário. Muitas vezes o seu melhor rendimento não acontece no horário comercial e você pode fazer trocas sem ser prejudicado. Além disto, para quem trabalha em um emprego fixo, resolver as pendências pessoais muitas vezes é um problema, em função do horário comercial”, argumenta.

“Acredito que tanto o emprego fixo como o trabalho como freelancer têm suas vantagens. Cabe a cada um definir o que é melhor para si. Trabalhar com carteira assinada garante a certeza do salário, benefícios, férias e horas extras. No freelancer você tem maior liberdade para fazer o que mais lhe interessa, com flexibilidade de horários, mas precisa trabalhar com uma boa reserva, uma garantia para não se apertar financeiramente”, opina Fabíola, sobre as vantagens e desvantagens desta maneira conduzir a carreira.

Antes de decidir, avalie os prós e os contras

A coach e consultora de carreiras e liderança, Luciane Botto, destaca que o mercado de trabalho está apostando cada vez mais na terceirização de processos, mas orienta a profissional a analisar os prós e contras desta escolha para a carreira antes de decidir pelo trabalho autônomo.

Para se destacar profissionalmente, a freelancer precisa se antecipar às necessidades do cliente, apostar em inovação e nas novidades da área em que atua. “Ao construir credibilidade no mercado, a profissional se destacará, e certamente será indicada para trabalhos em outras empresas, solidificando cada vez mais sua carreira”, explica Luciane.

O especialista em Finanças Pessoais da FAE Centro Universitário, Antônio Carlos Leite de Oliveira, afirma ainda que a autônoma precisa pensar em suas finanças de maneira consciente. “Elaborar uma planilha &eacut,e; extremamente proveitoso. É importante separar as despesas fixas e as despesas variáveis. Assim é possível manter o controle sobre as contas, ter uma estimativa do valor mensal que deve manter em reserva, além de verificar para onde foram, ou irão, os recursos ganhos”, explica.

Além de ter controle sobre o que entra e o que saí de seu caixa pessoal, é importante estar atenta às economias, utilização de limites de crédito e possibilidades de investimentos para a aposentadoria. “Deixar uma reserva, para quem possui uma remuneração variável, é fundamental para garantir a tranquilidade nos períodos de baixo rendimento e evitar as armadilhas do crédito e dos juros”, orienta Oliveira.

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