As milhares de fãs do romance erótico Cinquenta Tons de Cinza esperam ansiosas pela chegada do dia 12 de fevereiro. É nesta data que estreia nos cinemas brasileiros o filme homônimo, baseado no primeiro romance da série mais quente dos últimos tempos. Nos três livros da trilogia escrita pela inglesa Erika Leonard James (Cinquenta Tons de Cinza, Cinquenta Tons mais Escuros e Cinquenta Tons de Liberdade), lançados entre 2011 e 2012, a intensa relação de amor, muito sexo, poder e dominação entre os personagens Anastasia Steele e Christian Grey fez com que as obras se tornassem um fenômeno mundial de vendas.

Agora, a perspectiva é que o filme também seja um sucesso e que instigue ainda mais as fantasias femininas. E a expectativa é tão grande que, somente no site Groupon, mais de 10 mil ingressos para a pré-estreia do longa no Brasil foram vendidos em apenas 36 horas, em uma campanha de vendas que começou na última quarta-feira.

Nas telonas, o empresário sedutor, dominador e multimilionário Christian Grey é interpretado pelo ator Jamie Dornan e a mocinha virgem e recatada Anastasia Steele é vivida por Dakota Johnson. Na trama, será possível ver algumas das principais cenas do picante livro, que é recheado de trechos que mostram como se dá a relação entre o casal, baseada na submissão da inexperiente Anastasia Steele e nas práticas de sadomasoquismo cultivadas por Christian Grey.

O filme mostra o encontro entre eles, quando Anastasia vai até o escritório do empresário para entrevistá-lo e fica atraída pela figura forte de Grey. A partir deste momento, os dois passam a se conhecer melhor e a se encontrar, encontros que levam às cenas tórridas entre o casal, inclusive no famoso “quarto vermelho da dor”. Segundo a crítica especializada, o filme terá cenas quentes, no entanto, nada muito explícito, o que pode decepcionar algumas fãs. Além de Jamie Dornan e Dakota Johnson, o elenco ainda conta com o ator Luke Grimes e a cantora Rita Ora, que interpretam Elliot e Mia Grey, irmãos adotivos de Grey.

Grande expectativa

Uma das leitoras que aguarda há tempos a esteia do filme é a assistente administrativo Haressa Raisla Albino, de 21 anos.  Ela conta que não poderá ir à pré-estreia, mas que já se programou com as amigas para assistir ao filme no dia seguinte. Para ela, Cinquenta Tons de Cinza não é apenas um livro erótico e, sim, um romance que trata de amor, de forma bem sensual. “O Christian é dominador, mas não é mau, ele protege a Anastasia. As mulheres, ao ler o livro, se apaixonam pelo Christian. É um romance que tira o fôlego, faz o coração bater mais forte”.

Outra fã da série é a consultora comercial Ana Carolina Leal, 31. Ela diz que leu os livros por indicação das amigas e que achou a história interessante, de leitura fácil. “É uma história instigante, um conto de fadas que nunca vai existir: um cara podre de rico que satisfaz a mulher e que gosta de sexo intenso. Ele instiga pelo apelo sexual, mas não é algo vulgar, ele traz o que as mulheres não encontram na vida real”. Sobre o filme, ela conta que está curiosa. “Pretendo ir com meu marido, se ele não quiser, vou chamar uma amiga para me fazer companhia”. 

“O Christian é dominador, mas não é mau,
ele protege a Anastasia”, disse.

 Conto de fadas adulto

Para a psicóloga Flávia Tavares Perna, que atua na área de relacionamentos conjugais, sexuais e terapia familiar, o grande sucesso de Cinquenta Tons de Cinza entre as mulheres não está relacionado &agrav,e;s cenas picantes e ao sadomasoquismo. “O sucesso está atrelado à luta pelo amor, pela busca de um amor repleto de emoção, busca pelo controle e pelo domínio de um homem perfeito, atraente, rico, mas com problemas e cheio de enigmas. Isto faz com que a mulher possa provar para si mesma que é capaz de conseguir a mudança pela força do amor”.

Flávia diz que Cinquenta Tons de Cinza reafirma velhos contos de princesas e príncipes, da busca pela mudança, pelo final feliz em si. Sobre as mulheres estarem mais abertas para este tipo de filme ou livros, ela diz que, hoje, é possível perceber uma mudança evidente nas conversas entre amigas, com o sexo sendo tratado de forma mais aberta e popular, com experiências sendo trocadas e discutidas. “Em meu consultório, já tive experiências que a busca pelo sexo procedia com mais fervor da mulher e o desejo de buscar formas de satisfação era muito mais intenso que a do próprio companheiro”.

O psicólogo Tonio Luna ressalta que Cinquenta Tons de Cinza representa o proibido e que tudo o que não é permito sempre faz sucesso. “Nestas obras, as mulheres buscam o que desejam experimentar, o desconhecido, o que elas não querem explicitar. Elas mexem com desejos inconscientes, com o que não controlamos, com o que é satisfeito quando vemos uma terceira pessoa realizar em nosso lugar”.

Sobre o sadomasoquismo, Luna lembra que, muitas vezes, a prática pode acabar se confundindo com preceitos machistas. “O sadomasoquismo acontece de comum acordo, é consensual. Quando não é assim, as práticas passam a ser uma forma de violência, um machismo que acredita que a mulher gosta de ser submissa e subjugada”. E esta confusão deve ser evitada, as práticas devem ser combinadas entre o casal. 

Cena polêmica do filme. Foto: Divulgação.