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Mulher

Prevenção ainda é a melhor solução contra a Aids

Em Curitiba existem atualmente 10 mil pessoas que tomam medicamentos

  • Por Leilane Benetta

Receber o diagnóstico de Aids, até poucos anos, era quase uma sentença de morte. Mas o tratamento avançou e, hoje, a vida de quem tem a doença é praticamente normal. Mas o melhor tratamento para a síndrome, transmitida principalmente através das relações sexuais, ainda é a prevenção, mesmo que a mulher conheça bem seu parceiro. É por isso que, neste domingo, foi comemorado o Dia Mundial de Luta Contra a Aids.

Em Curitiba, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, existem atualmente cerca de 10 mil pessoas que tomam medicamentos contra a doença. De acordo com dados do Ministério da Saúde, de 1980 a 2012, foram notificados 31.935 casos da doença no Paraná, do total de 656.701 casos em todo o Brasil no mesmo período. Ainda conforme o órgão, em 2012, cerca de 135 mil portadoras do vírus HIV no país não sabiam que estavam infectadas.

Aids é uma sigla vinda do inglês, que significa Síndrome da Imunodeficiência Adquirida. O diretor de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde, Moacir Pires Ramos, explica que a doença é causada pelo vírus HIV. “Esse vírus ataca as células de defesa do organismo. A pessoa normalmente convive com esse vírus de oito a dez anos até ele causar a doença”, afirma. Por isso, é possível ser portador do vírus, sem saber, e transmiti-lo para outras pessoas.

Quando as células de defesa caem em um nível crítico, segundo Moacir Ramos, a pessoa começa a ter infecções e outros sintomas. “Emagrecimento, febre, íngua, candidíase oral (mais conhecida como sapinho) e candidíase vaginal de difícil tratamento são alguns deles”, cita. A Aids pode ainda causar infecções mais graves, como meningite, pneumonia e tuberculose. “Se a pessoa não descobre precocemente para se tratar a tempo fica exposta a essas doenças”, destaca.

Tratamento

Segundo Ramos, existem hoje 30 medicamentos disponíveis para o tratamento do HIV, que costumam ser combinados em três. “Com um único remédio, a pessoa melhora durante seis meses, aí o vírus fica resistente e tudo volta atrás. Com três medicamentos ao mesmo tempo, a probabilidade de resistência fica muito baixa”, explica. O avanço no tratamento fez com que o diagnóstico de Aids deixasse de representar quase uma sentença de morte para os portadores do HIV. “Se a pessoa faz o diagnóstico precoce e começa a tomar os remédios no momento adequado, sem falhar, não morre mais de Aids”, afirma.

Quem tem a doença deve refazer exames médicos a cada seis meses e praticar relações sexuais sempre com preservativo. “Não só para não transmitir o vírus para outras pessoas, mas para evitar que quem já tem o vírus pegue outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), o que iria sobrecarregar o sistema imunológico”, ressalta Moacir. No restante, a vida de uma pessoa com Aids é normal. “Pode correr, pode subir montanha, pode trabalhar normalmente, pode fazer academia. Não muda nada na vida”.

Riscos pra homens e mulheres

A transmissão do vírus HIV pode acontecer por meio de relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação. De acordo com Ramos, as pessoas que tenham fatores de risco devem fazer o teste anualmente. Entre esses fatores, estão o uso de drogas injetáveis com compartilhamento de seringas e relações sexuais sem uso de preservativo.

Para as gestantes, o teste de HIV deve ser feito durante o pré-natal. “Se ela for portadora do HIV, vai receber medicamentos durante a gestação, o que evita o risco de transmissão”, afirma o médico. Segundo o Ministério da Saúde, o uso de medicamentos combinados na grávida e no recém-nascido, o parto cesáreo e a não a,mamentação reduzem o risco de transmissão para níveis menores de 1%.

Ramos ainda alerta para os riscos das mulheres serem portadoras de HIV. “As mulheres se julgam não estar sob risco para o HIV, porque têm um parceiro só, não usam drogas, então não veem necessidade de se proteger com o uso de preservativo ou fazer teste”, destaca. No entanto, “muitas vezes, o parceiro expõe a mulher de um risco que ela desconhece”, pois têm outras parceiras ou é usuário de drogas. Além disso, a anatomia feminina esconde lesões genitais que podem ser porta de entrada do vírus. “Se tiver essas lesões genitais e não fizer exames ginecológicos rotineiros, a mulher não percebe”.

‘Peguei o vírus HIV do meu próprio marido’

Marina*, de 25 anos, descobriu ser portadora do vírus HIV durante a gravidez, há seis anos. “Para mim, era uma doença que matava. Eu tinha medo, tinha preconceito”, conta. Ela estava casada e nem imaginava que aquilo pudesse lhe acontecer. “Na hora que a mulher me falou, quase caí de costas”. Até então, a traição do marido Felipe era apenas uma desconfiança. Ela fez questão de contar para toda a família. “Na época, eu não sabia como lidar com a situação. Hoje, todo mundo sabe, e ninguém tem preconceito”.

Descobrir o vírus fez com que Marina tivesse que tomar remédios para evitar o desenvolvimento da doença. Foi a única coisa que mudou. “Levo uma vida normal igual antes”, afirma. “Acho que há males que vêm para o bem. Meu marido melhorou bastante. Antes ele era bem ruim, traía bastante. Melhorou o nosso relacionamento”, avalia. E ainda aconselha: “Acho que todas as mulheres deveriam exigir que seus parceiros usem camisinha. Mesmo se confiar, tem que usar”, comenta.

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