Ao contrário do que muitos pensam, não é só adolescente que tem problemas com cravos e espinhas. Muitas mulheres não tratam a pele adequadamente neste período e a acne permanece até a fase adulta. Outras, devido a vários fatores, passam a enfrentar esse tipo de constrangimento depois dos 30 anos. Nesses casos, somente um bom dermatologista pode dar um jeito no problema sem que haja mais prejuízos à pele.

Foi assim com a dona de casa Fabiana Amaral (fotos), 33 anos. Ela garante que, não tinha tanta espinha na adolescência quanto nesta fase da vida, depois dos 25. Mas admite que tinha o hábito de espremer cravos e espinhas por vergonha. “Queria sair e não conseguia, com aqueles pontos amarelos no rosto, então espremia. Só parei de cutucar depois que comecei o tratamento. Descobri que isso só feria a pele. Agora deixo sarar sozinho e é muito mais rápido”, conta.

Ela procurou um dermatologista há dois anos, fez alguns exames, e recebeu orientações que foram seguidas à risca e mudaram até a textura da pele. Descobriu um protetor solar que não deixa a pele oleosa, começou a esfoliar a pele três vezes por semana e iniciou tratamento com ácido.

“A pele não descamou, como eu imaginava. O tratamento é muito bom e a médica me disse que, se for seguido certinho por vários meses, pode ajudar a evitar as rugas também”, comemora. O único cuidado que ela precisa tomar é com o sol. Por recomendação médica, ela diminui o ácido e toma antibiótico no verão, quando vai para a praia ou em outros momentos em que ficará muito exposta ao sol. “O ácido na pele, com o sol, deixa manchinhas”, afirma.

Aliocha Mauricio

Fabiana ficou oito meses livre de cravos e espinhas. Depois que trocou de anticoncepcional – e também depois de começar a consumir as guloseimas dessa época de festas juninas -, o problema voltou a existir. Ela deve voltar à dermatologista para fazer exames hormonais. Enquanto isso, a preocupação é com o filho, que já completou 18 anos e está cheio de espinhas. “Já levei ele ao médico, mas não adianta. Ele não cuida da alimentação”, lamenta.

Cuidados

O caso de Fabiana é mais um entre tantos registrados nas mulheres entre 30 e 35 anos. De acordo com a dermatologista Deborah Torre, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia no Paraná (SBD-PR), na maioria das vezes, quando a mulher tem acne nesta idade, o problema pode estar associado a uma alteração hormonal.

“Se a paciente apresentar sintomas como dificuldade para engravidar, queda de cabelo, aumento de peso ou aumento de pelos no seio, rosto, e outros locais onde não tinha pelos antes, a acne pode ser um sinal de que ela está com síndrome do ovário policístico”, afirma a médica. A paciente deve procurar o dermatologista, que poderá pedir exames e encaminhá-la para o endocrinologista ou o ginecologista, para prosseguir o tratamento.

Se os exames não apontarem problemas hormonais, a acne pode ter outras origens. “Cremes muito oleosos geram acne e existem medicações que apresentam um quadro semelhante ao da acne. Pessoas que fumam e que se alimentam mal também têm mais tendência a formar cravos e cistos”, explica a dermatologista.

O tratamento é muito semelhante: limpeza da pele com sabonetes específicos, uso de protetores solares para pele oleosa e uso de anticoncepcionais para amenizar a alteração hormonal. Dependendo do nível da acne, o tratamento pode ser com antibióticos. Se a paciente tiver apenas cravos, pode ser utilizado ácido retinóico.

O importante mesmo é sempre procurar o dermatologista para receber a orientação certa. A recomendação também vale para tratamentos de beleza, como limpeza de pele e peeling. “,O profissional que fizer o tratamento deve ser certificado para isso. O tratamento mal feito pode dar reação na pele, e até causar infecção”, ressalta Deborah.