Como todo mundo sabe, nesta quarta-feira, celebramos o Dia Internacional do Trabalho. E, para nós, mulheres, esse dia representa muito, pois, para termos a oportunidade de estar no mercado de trabalho, houve muita luta. Para nós, portanto, o Dia Internacional do Trabalho está ligado a uma grande conquista, pela qual muitas mulheres “deram o sangue” durante décadas ou séculos.

Mas, será que tudo isso valeu a pena? Será que estamos satisfeitas com o nosso trabalho? Somos felizes com as nossas ocupações, como sugere a própria Ana Paula, aqui na coluna ao lado? Portanto, nas proximidades de mais um Dia Internacional do Trabalho, o TDelas consultou algumas trabalhadoras daqui de Curitiba para que elas dissessem se estão realizadas com suas ocupações e como se relacionam com o trabalho.

Cada uma delas contou um pouquinho sobre como encontraram a felicidade no trabalho, conquistando não apenas dinheiro e independência, mas principalmente satisfação, realização e valorização. Por mais que a gente queira “chutar o balde” de vez em quando, trabalhar faz bem e garante uma vida mais saudável. Afinal, todo mundo precisa de uma ocupação para se sentir útil e alcançar todas essas coisas boas.

O melhor trabalho

Para a vendedora de flores Cristiane Gardini, 29 anos, que está empregada em uma floricultura do Centro há dois meses, ela está em seu melhor momento desde que começou a trabalhar. “Este é o melhor trabalho que já tive, pois o relacionamento com a clientela é muito gostoso. As pessoas vêm aqui, contam histórias, pedem conselhos… É uma satisfação muito grande saber que, de algum forma, o meu trabalho faz parte da felicidade de outras pessoas”, afirma.

As histórias que ela ouve vão desde casamentos até desculpas ou despedidas. “A maioria passa por aqui para comprar flores para pedir desculpas mesmo, mas tem um pouco de tudo. A única coisa que me incomoda um pouco é que todo mundo vê só a beleza das flores, mas não percebe o trabalho que dá para fazer os arranjos”, conta. Fora isso, em relação ao trabalho propriamente dito, ela não tem do que reclamar.

Em compensação, a região onde trabalha a assusta um pouco. “Minha maior dificuldade é a praça (Osório, onde está localizada a floricultura), pois tem muita marginalidade e à noite não tem muito policiamento (ela sai do trabalho às 19h). Como não tem homens trabalhando aqui, parece que todo mundo fica mais de olho. Não atendemos somente a clientela, mas muita gente que passa por aqui”, comenta.

Crescimento na empresa

Felipe Rosa

Há sete anos trabalhando no Hotel Slaviero, a coordenadora de Alimentos e Bebidas da cozinha e restaurante do estabelecimento, Tereza Delgado, 33 anos, começou debaixo e foi conquistando aos poucos a posição que ocupa atualmente. “No início, era auxiliar de limpeza, depois passei a camareira e, ainda, a garçonete, antes de chegar nesse cargo. Aqui, me sinto muito valorizada e realizada, apesar de sempre estar em busca de mais”, conta.

Para chegar onde está, ela diz que se espelhou em antigos chefes. “Não dá nem para dizer que eles eram chefes. Na verdade, eles eram líderes mesmo e aprendi muita coisa com eles, ensinamentos que coloco em prática hoje com a minha equipe. De todas essas influências, ela destaca uma que foi essencial no começo de sua carreira no hotel, quando era recém-chegada do interior de São Paulo. “Lembro muito de uma governanta, que foi uma verdadeira mãe para mim, quando cheguei aqui. O nome dela era Zezuína”.

Tereza adora o que faz e garante que não tem vontade de fazer qualquer outra coisa da vida. “Já me ofereceram uma vaga na recepção, mas não quis porque adoro essa correria do meu trabalho”, comenta. No entanto,, ela admite que ainda há muitas coisas para melhorar. “Sei que sou dedicada, mas acho que ainda posso buscar mais experiências, correr atrás dos meus objetivos”.

Muito pela frente ainda

Felipe Rosa

Em apenas quatro meses, Ariane Morel, 27 anos, passou de vendedora a gerente de uma loja de óculos no Centro. Esse rápido sucesso, entretanto, é pouco para ela. Perguntada sobre sua realização no trabalho, ela diz que gosta muito do que faz, que se sente satisfeita por seu feito, mas demonstra que tudo isso ainda é pouco para ela, ao afirmar, com muita segurança: “Não é aqui que vou parar”.

Com mais calma, ela explica que já entrou na empresa pensando no futuro, de olho em um plano de carreira atrativo. “Entrei em dezembro como temporária e já cheguei à gerente, mas sei que posso ir mais adiante, pois a empresa é legal e possibilita o crescimento, há oportunidade para isso. Penso em buscar uma vaga na área de Design, pois tenho formação em Moda”, conta.

Apesar de seus objetivos serem bem claros, ela garante que não estabeleceu um prazo para atingi-los. “Não tenho uma meta fixa, pois acredito que as coisas têm que acontecer naturalmente, com a força do trabalho”, explica. Enquanto isso, ela conta com uma equipe comprometida para fazer um bom trabalho. “Já coordenei grupos maiores em outras empresas, mas aqui todo mundo é uma família. Digo sempre que eles formam meu dream team”.