Em 1988, em meio à redemocratização do Brasil, nascia também uma das organizações mais importantes no país quando se fala em luta pelos direitos das mulheres, emancipação do sexo feminino e autonomia das mulheres, a União Brasileira de Mulheres. No mês em que a UBM comemora 25 anos, a coordenadora nacional da entidade, Elza Maria Campos, 57 anos, que também faz parte do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, conta sua trajetória no movimento e na própria instituição.

– Como a senhora começou a participar deste movimento de mulheres?

Sou assistente social por formação, que é uma categoria formada quase majoritariamente por mulheres. Por isso, sempre tive que lidar com questões referentes ao sexo feminino. Meu primeiro contato com o movimento, entretanto, foi por meio da União de Mulheres de Curitiba, extinta em 1987.

– E como foi que a senhora entrou para a UBM?

Depois que a União de Mulheres de Curitiba foi extinta, continuei me reunindo com algumas mulheres, mas não tínhamos mais uma entidade, com um estatuto definido. Só que ao longo dos anos, sentimos falta disso, sentimos necessidade de que houvesse mais organização no movimento. E foi então que, em 2001, criamos a seção Paraná da UBM.

– Mas atualmente a senhora é coordenadora nacional da entidade, não é?

Sim, fui presidente aqui até 2011, mas em 2003, entrei para a executiva nacional também, ficando também na gestão seguinte, eleita em 2007, mas sempre em outros cargos. Até que, em 2011, fui eleita como presidente da organização nacional, cargo no qual continuo até 2014.

– Durante todos esses anos de participação no movimento, quais foram as conquistas das mulheres?

Ah, foram várias lutas que nós empreendemos, com muitas conquistas, como a implantação da Política de Atenção à Saúde da Mulher, a criação das delegacias especializadas para atendimento de vítimas do sexo feminino, a sanção da Lei Maria da Penha e muitas outras. Mas ainda temos muitas batalhas pela frente.

– Quais, por exemplo?

Começamos com uma luta pelo reconhecimento da mulher como sujeito de direitos, em meio à discussão da Constituinte de 1988. Depois, passamos à questão da violência doméstica, ao acesso à saúde e à educação (a luta por creches é ainda muito atual), a igualdade no mercado de trabalho, a representação das mulheres na política… E continuamos batalhando para que as mulheres tenham autonomia cultural, financeira, pessoal e política.