Dados do Ministério da Saúde apontam que, a cada ano que passa, existe uma evolução da utilização de métodos contraceptivos entre as mulheres. De acordo com a Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher (PNDS), até 1996, a cirurgia de esterilização feminina, a famosa laqueadura, era o método mais utilizado, atingindo 38,5% do total de mulheres que usam algum tipo de contraceptivo. Em contrapartida, a última edição deste levantamento, realizada em 2006, aponta que, nesta época, a pílula anticoncepcional já tinha ultrapassado a laqueadura em termos de popularidade (27,4% usavam pílula, enquanto 25,9% ainda optavam pela cirurgia).

Independente do método escolhido, o fato é que o uso de estratégias anticoncepcionais é cada vez mais frequente – em 2006, 80,6% das mulheres em união, com idades entre 15 e 49 anos, já tinham esse hábito. A tendência, entretanto, é de que, cada vez mais, as mulheres passem a optar por outros tipos de métodos contraceptivos – a pesquisa de 2006 mostra que a porcentagem de usuárias de opções mais modernas pulou de 3% para 7% neste intervalo de dez anos. No entanto, essa mudança de hábitos deve acontecer gradualmente.

Isso porque, apesar de o acesso estar cada vez mais fácil a todos os tipos de métodos, a pílula ainda é o mais procurado por uma questão cultural, de tradição da utilização deste recurso. “Quando tentamos indicar outro método, as mulheres não aceitam, elas preferem a pílula porque já conhecem”, comenta o médico ginecologista do Hospital Pilar, Marcus Vinicius Chiaretto.

Para o médico ginecologista do Hospital de Clínicas, Rosires Pereira de Andrade, “é até bom que este seja o método mais utilizado, principalmente por mulheres jovens”. Isso porque a pílula tem algumas características diferentes, que beneficiam a saúde das mulheres de diversas formas. “A pílula melhora a pele, diminui o volume da menstruação, e reduz o efeito de inchaço, as queixas pré-menstruais e o problema de retenção hídrica”, explica.

Mesmo quando essas reclamações persistem com a utilização da pílula, é de maneira bem menos acentuada. “Sem a pílula, os sintomas podem até dobrar porque ela tem poder de proteção”, garante. Também protege contra a anemia e contra pelo menos dois tipos de câncer – do endométrio e do ovário. Os benefícios são os mesmos, independente de usá-la de maneira contínua ou não.

O principal motivo, entretanto, para a pouca variação entre os métodos mais utilizados parece ser a falta de conhecimento a respeito das outras possibilidades – ainda mais porque muitas delas trazem os mesmos benefícios da pílula, com pequenas alterações. Este é o caso do adesivo anticoncepcional e do anel vaginal. “Em ambos, o que muda é apenas a via pela qual acontece a absorção do hormônio sintético. No final, a ação é a mesma”, afirma Andrade.

Apesar de algumas desvantagens (veja quadro), a grande vantagem é que a utilização de qualquer um dos dois não interfere no funcionamento do sistema digestivo, como pode acontecer com a pílula, que é ingerida. Por sua vez, o comprimido é distribuído gratuitamente nas unidades de saúde. Entre as opções hormonais, ainda há a injeção (mensal ou trimestral), a pílula do dia seguinte, o implante e o DIU.

De todos esses, Andrade recomenda o primeiro, que possui eficácia ainda maior do que a pílula. Neste caso, a cada mil usuárias, pode haver falha em duas; com a pílula, a possibilidade de falha é de quatro em cada mil. “Mas a eficácia da pí,lula pode ser ainda menor devido à possibilidade de esquecimento”, alerta. Já a pílula do dia seguinte deve ser usada somente em casos de emergência, reforça Chiaretto.

Sem interferência de hormônios

Entre os métodos não-hormonais, também chamados de comportamentais, Chiaretto cita os métodos mais tradicionais, como a abstinência sexual, a ejaculação extra-vaginal e a temperatura basal, e os métodos de barreira, como o DIU de cobre, o preservativo masculino, a camisinha feminina e o diafragma. E também há a laqueadura – esta não é, entretanto, indicada por Andrade, que afirma que sua eficácia é baixa (a cada mil, 18 casos apresentam falhas). A cirurgia ainda é indicada somente para quem tem família constituída, pois, pelo menos na teoria, deveria ser um método irreversível.

Para Chiaretto, muitos desses outros métodos poderiam ter conquistado as mulheres brasileiras, mas ainda esbarram na questão cultural. “As mulheres veem na pílula uma grande comodidade, pois sabem que, tomando um comprimido por dia, vão estar protegidas. Em muitos outros países, o diafragma é uma opção bastante popular, mas, por ser mais desconfortável, acabou não fazendo sucesso por aqui. É difícil até de achar para comprar”, comenta o médico. Seja qual for o método escolhido, o mais importante é que a mulher se sinta bastante confortável com ele.