Pelo menos em algum momento da sua vida, você deve ter pensado em corrigir alguma parte do corpo da qual não gosta. Pois saiba que, cada vez mais, os brasileiros estão colocando em prática essa ideia, optando por cirurgias plásticas, seja por motivos exclusivamente de saúde ou por desejar melhorias estéticas em seu corpo. Nos últimos cinco anos, o número de procedimentos realizados anualmente no país pulou de 600 mil para quase 1 milhão, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

Desse total, 60% são cirurgias estéticas e 40% reparadoras. Além da tradicional cultura da beleza, que acomete grande parte da população brasileira, a ascensão da chamada classe C também parece ter contribuído para impulsionar o crescimento do número de cirurgias plásticas realizadas no país.

“Por estarmos num país tropical, os corpos ficam mais expostos e a vaidade é muito levada em conta. E, com as facilidades de crédito, a cirurgia plástica deixou de ser privilégio das classes A e B, pois essas pessoas aproveitaram as oportunidades que não tinham antes”, comenta o presidente da SBCP no Paraná, André Auersvald.

No entanto, o médico comenta que essa inserção da classe C no âmbito da cirurgia plástica não foi 100% positiva. “O problema é que essas pessoas estão em busca de preços baixos, não de qualidade. Elas pensam ‘A cirurgia está dentro do meu bolso?’, não ‘Meu médico é qualificado?’, como deveria ser”, analisa.

Só que essa falta de critério pode ser bastante prejudicial para o paciente. “Há um risco muito grande a cirurgia não sair a contento do ponto de vista da saúde”, comenta. Para ele, algumas práticas devem ser combatidas e abolidas. “Para que o procedimento seja mais barato, é preciso reduzir custos. E como é feito isso? Só funciona quando o profissional não é qualificado ou atende por consórcios ou operadoras, que oferecem pagamento parcelado, mas correspondem a uma prática ilegal”, explica.

Arquivo

De acordo com ele, o profissional que for pego realizando procedimentos desta forma está sujeito até mesmo à exclusão da categoria médica, conforme a resolução 1836/2008 do Conselho Federal de Medicina (CFM). Por isso, o paciente deve escolher muito bem seu médico antes de ir para o centro cirúrgico. A principal orientação, portanto, é verificar se o profissional é qualificado para executar a cirurgia, sendo membro da SBCP.

“É preciso tomar cuidado com nomenclaturas parecidas, mas que são usadas somente para enganar os pacientes, como Sociedade Brasileira de Cirurgia Estética e Sociedade Brasileira de Cirurgia e Medicina Estética, que não existem e não são reconhecidas pelo CFM”. Auersvald também recomenda que o paciente se informe a respeito da qualificação do anestesista que vai acompanhar a cirurgia, conheça o hospital e faça um check up antes do procedimento. “Também é importante dizer ao médico qual seu histórico familiar de saúde, pois omitir essas informações pode ser um grande perigo”.

Mulheres são maioria

De acordo com Auersvald, a grande maioria dos pacientes que se submetem a cirurgias plásticas – 80% – são do sexo feminino. Entre os procedimentos, o mais procurado é a cirurgia de mama, seja ela de colocação de prótese ou redução da própria mama, que representa 30% do total. A psicóloga Marina dos Santos Borges, 40 anos, está no primeiro caso. Recentemente, ela se submeteu a um procedimento de levantamento da, mama e colocação de prótese, após alguns anos de adiamento.

No caso dela, a necessidade surgiu devido aos efeitos da gravidez. “Amamentei minha filha durante um ano, o que causou uma queda na mama. Então, quis fazer a cirurgia por uma questão de autoestima mesmo, pois me olhava no espelho e não gostava mais do que via”, explica. Atualmente, a menina, Jéssica, tem cinco anos. A demora aconteceu por dificuldades financeiras. “Eu tinha outras prioridades, mas decidi de vez há quase dois anos e, desde então, economizei dinheiro para isso”, conta.

Depois das cirurgias de mama, as mulheres procuram mais a lipoaspiração (20%) e os procedimentos operatórios no de abdômen (15%). Os demais são intervenções no rosto. Já no caso dos homens, a cirurgia mais procurada é a lipo. Além dos procedimentos tradicionais, realizados também em mulheres, os homens acrescentam à lista as cirurgias reparadoras de calvície. De acordo com Auersvald, o público masculino está em crescimento, mesmo quando se trata de cirurgias estéticas.

Novas técnicas

Para conhecer as novidades da área, cirurgiões plásticos de várias regiões se reúnem a partir de hoje para a 29ª Jornada Sul-Brasileira de Cirurgia Plástica, que acontece até sábado no Hotel Pestana, tendo como tema principal a cirurgia de mama. Dois convidados internacionais – um italiano e um norte-americano – devem apresentar os projetos mais aguardados. O primeiro trata de testes para enxerto de gordura em mamas e, o segundo, de estudos sobre avanços no entendimento do mecanismo de rejeição da prótese, um problema comum entre as pacientes.