Em pleno final de ano, estando fora de casa (e da sua cidade) por um mês inteiro (férias) ou apenas alguns dias (recesso entre as festas de Natal e Ano Novo), muita gente tem dificuldade de continuar com a rotina de exercícios físicos, alcançada ao longo do ano com muito esforço, em meio à correria do dia a dia. Neste momento, surgem algumas dúvidas. Como manter a regularidade da atividade física neste período? Será que podemos nos dar um descanso? Ou devemos continuar com a mesma intensidade de exercícios a qual nos acostumamos durante o ano? E, se é para manter a regularidade, como fazê-lo quando estiver fora de casa, da cidade?

Especialistas afirmam que manter a rotina de exercícios é importante sim, mas se dar um tempo de descanso pode não ser tão prejudicial quanto imaginamos e pode até trazer algumas vantagens. “Para uma pessoa que treina regularmente durante o ano inteiro, este é um bom momento para descansar um pouco, pois se ela ficar 20 ou 30 dias parada, não vai haver um prejuízo significativo. É até bom que ela faça isso porque, apesar de perder um pouco de treinabilidade por causa dessa pausa, ela precisa de descanso para chegar melhor no outro ano”, afirma o professor do curso de Educação Física da Unibrasil, André Brauer.

Já o professor da academia FIT Premium, Marcelo Teixeira, defende que esse intervalo seja de, no máximo, duas semanas, para que a rotina dos exercícios não se perca. No restante das férias, pode-se diminuir o ritmo e a intensidade deles, mas o ideal é que haja uma certa regularidade na atividade física. “É interessante que a pessoa mantenha um certo ritmo para não ter preguiça de voltar depois, independente de qual seja a atividade escolhida. O que interessa é que o exercício dê prazer e que seja feito com regularidade, mesmo que a pessoa esteja viajando e não tenha acesso à academia que está acostumada a frequentar”, opina.

Esta época, aliás, é bem apropriada para experimentar exercícios aos quais a pessoa não esteja acostumada, segundo Teixeira. “Neste período de férias, é interessante variar a atividade física propositalmente. Até mesmo os atletas de elite fazem isso. Quando estão de férias, eles deixam de praticar seu esporte para fazer outras coisas. Isso é importante não só para proporcionar estímulos diferentes ao corpo, mas também pela questão psicológica, de mudar um pouco, e ainda pela oportunidade de descobrir outras possibilidades, como exercícios típicos de verão, para serem praticados na praia, ou mesmo outros, que podem ser incorporados à rotina depois”, comenta.

Arquivo
Frescobol e corrida são algumas das opções pra diversificar os exercícios, mantendo a regularidade, tanto na praia quanto na cidade.

Praia x cidade

Para quem vai passar um tempo no litoral, as opções costumam ser mais variadas. “Tem aquelas aulas de ginástica na praia, frescobol, surfe. Tem também o stand-up paddle (prancha a remo), que está na moda, em praias de águas mais calmas ou até mesmo em lagos e represas, e trabalha tanto os membros superiores quanto os inferiores, além de proporcionar uma vista diferente da paisagem da praia. Dá pra fazer uma coisa diferente todo dia”, sugere Teixeira. Mesmo para quem fica na cidade, ele orienta que busque atividades diferentes, ao ar livre, como a corrida ou o próprio frescobol.

Neste caso, para aqueles que não conseguem mesmo ficar sem exercício, Brauer também indica a realização de exercícios que utilizem o próprio peso do corpo. “Exercícios de barra fixa ou paralela, abdominais ou levantamento de peso são algumas das alternativas possíveis”, comenta. Mas não adianta nad,a fazer apenas os exercícios dos aparelhos das academias ao ar livre. “Para quem treina com regularidade durante o ano todo, essas atividades são muito leves, não proporcionando a sobrecarga suficiente para manter a treinabilidade”, justifica.

Em todo caso, independente de qual seja o novo exercício que a pessoa vai praticar neste período, Brauer indica que, antes de começar, ela procure um profissional de Educação Física para receber orientações de qual a melhor atividade para substituir os treinos rotineiros. “É preciso ter muito cuidado com a autoprescrição de exercícios físicos para que não haja exagero na intensidade. Mesmo que a pessoa não esteja em sua cidade de origem, é preciso buscar informações com profissionais habilitados para que a atividade não prejudique sua saúde. Em qualquer lugar, há instrutores para orientar e, em todo caso, pode-se recorrer ao seu próprio professor da academia que costuma ir para uma avaliação antes de viajar”.