O desaparecimento de uma mãe com depressão pós-parto, na semana passada, alertou os moradores de Curitiba e mais uma vez chamou a atenção para o problema. Muitas vezes silenciosa, a situação ocorre com frequência entre mães de recém-nascidos e exige atenção dos familiares, além de acompanhamento médico.

A família procurou desesperadamente pela mulher que ficou desaparecida por mais de 24 horas. A jovem saiu a pé, sozinha, deixando seu bebê com os avós. Ela foi vista pela última vez na região do Bairro Alto e foi encontrada com sinais de desorientação por uma equipe Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-116 sentido São Paulo.

“Não conheço a moça e assim não posso fazer um diagnóstico, mas pelas informações divulgadas, tudo indica que tenha sido um caso de depressão pós-parto mais profundo ou até mesmo psicose pós-parto, condição delicada que precisa de acompanhamento e tratamento especializado”, avalia o médico psiquiatra Elio Mauer, diretor técnico da Unidade Intermediária de Crise e Apoio à Vida (UNIICA).

Entre os sintomas da depressão pós-parto estão tristeza, desânimo, irritabilidade e sensação de incapacidade em lidar com o bebê. Se não tratados, podem trazer dificuldades para a mulher e a criança neste período que envolve grandes mudanças tanto no aspecto físico, hormonal, emocional, como psicológico.

Mauer destaca que a depressão pós-parto é, em primeiro lugar, uma depressão. “É muito parecida com a depressão clássica e não é raro que mulheres que desenvolvem depressão após o nascimento do bebê já tenham tido anteriormente outros episódios de depressão na gravidez de outros filhos ou em outras épocas da vida”, explica.

O diagnóstico é feito de forma clínica, com a observação dos sintomas, do histórico da paciente ou casos de depressão na família. “Os sintomas que indicam que a mãe apresenta depressão pós-parto costumam ser alterações comportamentais, com comportamentos que não são próprios de sua personalidade, como a sensação de incapacidade, choro constante, pessimismo, baixa autoestima e tristeza sem motivo aparente”, diz o psiquiatra.

A mãe que apresenta este quadro precisa de tratamento e os primeiros cuidados podem ser feitos pelo médico obstetra, que, em geral, encaminha a paciente para um psiquiatra. “Se necessário, o psiquiatra prescreverá medicações antidepressivas e também indicará um psicólogo” orienta Mauer.

Da tristeza à depressão

A psicóloga Claudia Menegatti afirma que entre 60% e 70% das mulheres apresentam sensação de tristeza imediatamente após dar a luz. “É uma situação que acontece em função do cansaço materno e das mudanças fisiológicas, mas que para grande parte das mães passa rapidamente. Somente para algumas isto pode se agravar e se tornar algo crônico”, explica.

Já a depressão pós-parto costuma se manifestar após o período médio de 30 dias. “Como cada mulher é única, não é possível afirmar com certeza quando a depressão pode começar. O que podemos fazer é acompanhar a mulher desde a gestação, observando as condições que aumentam a probabilidade dela desenvolver uma depressão pós-parto”, orienta.  Entre os fatores que aumentam os riscos para o problema estão situações de sofrimento anteriores ao parto, baixo nível educacional e de informação sobre o parto, ausência de apoio familiar ou do companheiro, gravidez indesejada e até mesmo problemas financeiros que interferiram em seu sustento. “São fatores que aumentam os riscos, mas não indicam que a mulher está destinada a ter depressão pós-parto”, pontua.

Claudia alerta que mãe e a família precisam entender esta situação, já que pode colocar a vida da mulher e do bebê em risco. “Mas apesar de sua gravidade, a depressão pós-parto é uma condi&cc,edil;ão psicológica transitória, que pode ser revertida e que nada tem a ver com o amor da mãe por seu filho. O que os familiares precisam fazer é observar a mulher após o parto e aos primeiros sintomas, buscar ajuda médica”, diz. Nos casos em que a paciente é bem orientada, a melhora se apresenta logo nas primeiras semanas do tratamento.

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