Ele foi talvez o maior atacante de todos os tempos, em talento e categoria, que atuou no Paraná. Ele também foi o maior encrenqueiro que jogou por aqui. Se não fosse pelo segundo motivo, não seria o primeiro, porque tinha bola para jogar em qualquer grande clube do planeta e seleção brasileira. Seu nome: José Roberto Marques. Também conhecido por Zé Roberto ou Gazela. Já era craque quando jogava no São Paulo, mas ganhou fama com as camisas do Atlético e do Coritiba, nos quais se tornou ídolo inconteste. Aliás, talvez o único caso de jogador amado e reverenciado pela torcida dos dois clubes como ídolo histórico.

E esta história começou no Rubro-Negro da Baixada em 1968. E quem conta é o antigo ídolo atleticano e que depois virou diretor do clube, Jackson Nascimento. “O Jofre Cabral era amigo do Laudo Natel, presidente do São Paulo. O Jofre foi presidente do Graciosa Country Clube e organizou um baile e convidou uma cantora mulata bonita para cantar. Ela cantou a música ‘Conceição’. O pessoal pediu bis e o Jofre chamou o Laudo Natel para cantar Conceição com a cantora. O Laudo era tímido e ele foi lá, nem sabia a música direito. A cantora foi ajudando e o Laudo cantou Conceição”, diz Jackson Nascimento. “Eu conto isto para mostrar como eles eram amigos. Aí, quando a gente foi reforçar o time do Atlético para aquele ano de 1968, nós fomos a São Paulo”, diz ele.

“Fomos eu, o Caju, o Jofre Cabral e o Lanzoninho, que era o técnico do Atlético na época. Quando o Poy me viu ele me perguntou o que eu estava fazendo por lá. Eu contei que era da direção do Atlético e a gente queria reforçar o time. A gente foi atrás de um goleiro. Poy então disse que era para a gente levar um grande jogador que tinha lá, um atacante muito bom chamado Zé Roberto. Poy disse que ele era o melhor centroavante do Brasil. Que em campo era melhor que Pelé, melhor que Zizinho, não tinha ninguém melhor que ele. Eu perguntei: se ele é tão bom assim, por que vocês não ficam com ele? Porque o Laudo Natel não queria ver Zé Roberto nem pintado de ouro em festa de aniversário e pediu: levem este cara daqui”, conta Jackson.

“E nós trouxemos o Zé Roberto para o Atlético. Ele jogava muito. Ele era filho do Jerônimo, ponta direita da seleção gaúcha, que jogou com Motorzinho, Tesourinha e outros e formou uma linha de frente do Corinthians. O pai dele era também um baita craque. Mas Poy tinha razão: a gente ganhou muitas partidas com ele, mas a gente também se incomodou muito com ele”, conta Jackson. O ex-atacante e ex-diretor do Atlético atribui a um episódio envolvendo Zé Roberto a perda do título de campeão de 1968, que estava no papo.

“Nós perdemos o título de 1968 na véspera do jogo contra o Britânia, que seria no dia 13 de julho. Faltavam duas rodadas e todas fáceis. Contra o Britânia e Primavera. Na noite que antecedeu o dia do jogo contra o Britânia, ligaram para mim da concentração. E disseram: o Zé Roberto sumiu. Todo mundo estava preocupado. O (técnico) Nestor Alves da Silva estava desnorteado. Eu liguei para o Caju e fomos lá. Já era madrugada quando eu, o Caju e o Nestor encontramos o Zé Roberto numa boate. Ele estava bêbado, mas tão bêbado que nós três não conseguíamos colocar o homem em pé. Levamos ele de volta e o Nestor Alves que era muito bravo, ficou revoltado com aquilo que começou dar uma surra no Zé Roberto, que estava bêbado e não sabia porque estava apanhando. Se não fosse a gente intervir, eu acho que ele matava o Zé de pancada naquela madrugada”, contou Jackson.

Arquivo

“Na hora do jogo eu falei para colocar o Zé Roberto ,para jogar. O Nestor não queria saber e nem olhava para a cara do Zé. Eu disse, coloca e vamos ver o que acontece. O Zé não aguentou vinte minutos e pediu para sair. Empatamos em um gol. Se a gente tivesse vencido aquele jogo, seríamos campeões sem necessidade de enfrentar o Coritiba numa melhor de três”, disse ele. O Atlético enfrentou o Coritiba e perdeu o título. Poy tinha razão. Zé Roberto jogava muito. Mas criava muitos problemas. Com a camisa do Atlético, Zé Roberto foi artilheiro do Campeonato Paranaense com 24 gols, além de brilhar naquele time que disputou o torneio Roberto Gomes Pedrosa, em 1968. Diretores e técnicos ficavam loucos nos bastidores, mas a torcida vibrava com ele em campo. Este era o Zé Roberto.

Em Campinas

Zé Roberto: “Antes de ir para o Atlético, eu estava no Guarani. Eu fui bem no Guarani e de lá eu fui direto para o Atlético, por empréstimo”.

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