O primeiro grande estádio do Paraná era para ter nascido em 1948, em Curitiba, e abrigaria 60 mil pessoas. Só teve um pequeno defeito: não saiu do papel. O Olímpico do Paraná tinha um projeto revolucionário, obra do engenheiro civil e arquiteto Ayrton Lolô Cornelsen, 90 anos. E sua construção também. O empreendimento seria autofinanciável, ou seja, seria construído com recursos da venda de cadeiras e espaços para empresas.

O governo do Estado, que cederia o terreno na área onde hoje existe a PUC, no bairro Padro Velho, não topou. Assim, em 1950, a Copa do Mundo foi disputada em Curitiba no estádio Durival Britto e Silva, que embora na época fosse a melhor praça de futebol do sul do País, não era arrojada e tampouco confortável. Com seu projeto descartado, Cornelsen tentou vendê-lo ao governo do Rio de Janeiro, que não tinha dinheiro para bancar um estádio público. Não deu certo e o Maracanã foi construído com recursos federais, do governo Getúlio Vargas.

Porém, a ideia de um estádio moderno em Curitiba foi retomada em 1953, com o projeto do Belfort Duarte, estádio do Coritiba, na época presidido por Arion Cornelsen, irmão de Lolô. “A proposta era revolucionária para a época. Usei o mesmo conceito dos cachos de banana do outro projeto e acrescentei junto às arquibancadas da Rua Mauá um shopping com 74 lojas, que seria o primeiro de Curitiba. O aluguel destas lojas produziria uma fonte de recursos adicional para o clube”, recorda.

A praça esportiva teria capacidade para 45 mil pessoas. Mais uma vez a ideia original ficou no papel. Apenas a primeira parte do projeto foi levada adiante e hoje são as sociais da rua Ubaldino do Amaral. Com a saída de Aryon Cornelsen, e a entrada de Evangelino Neves na presidência do Coritiba, o projeto do estádio foi entregue aos irmãos Mauad, que não seguiram a planta original na finalização do estádio.

Lolô não desistiu. Em 1966, a ideia do estádio olímpico paranaense seria retomada novamente. Desta vez no Tarumã. O empreendimento, com capacidade para 70 mil pessoas, seria a grande pérola de um conjunto esportivo do qual fariam parte o Jóquei Clube, a hípica paranaense e o autódromo de Pinhais. Hoje esse projeto é conhecido como Pinheirão – estádio desativado desde 2007 – e que também não seguiu o desenho original do engenheiro.

Mas se não deu para emplacar um estádio em Curitiba, Lolô Cornelsen o fez no Interior, mais precisamente em Paranavaí. É dele o projeto do Waldemiro Wagner, que usou uma cratera originada pela erosão para erguer um dos estádios mais simpáticos do futebol paranaense.