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História

Primeiro gol profissional de Dirceu foi em um Atletiba

Era um garoto de dezenove anos que acabara de sair das fileiras juvenis

  • Por Edilson Pereira

Cada Atletiba tem uma história. E o daquele dia 6 de fevereiro de 1972 tem várias. O jogo era no Belfort Duarte, campo do Coritiba. Mas a torcida atleticana compareceu em peso e sufocou a torcida coxa. Como não bastasse, o centroavante Ademir Rodrigues abriu o placar logo aos 15 minutos do primeiro tempo para delírio da torcida atleticana. E o time rubro-negro mandava no jogo. No outro lado, o Coxa não se encontrava em campo. O alviverde tinha um jogador que corria no ataque, voltava para ajudar na meia cancha, como tentasse sozinho resolver o jogo.

Era um garoto de dezenove anos que acabara de sair das fileiras juvenis. Ele tentou tanto que aos 39 minutos do primeiro tempo conseguiu: empatou o jogo. O lateral Cláudio Deodato não percebeu a presença de Dirceu entrando pelo miolo e recuou a bola para o goleiro Picasso. Dirceu foi rápido, se antecipou e arrematou sem chances. A partir daí, o jogo pegou fogo. Embora o clássico terminasse empatado em um gol, quem viu a partida garante: foi um dos melhores Atletibas dos anos 70. E pela manchete da Tribuna no dia seguinte, foi mesmo: “Um futebol sensacional neste empate de gigantes”.

Para Dirceu foi uma partida histórica. Foi o seu primeiro gol como jogador profissional. Embora ainda amador, foi chamado de craque por todo mundo. A Tribuna o definiu como perfeito em campo. “A cada jogo que passa, Dirceu vai adquirindo maior confiança no seu grande futebol, destacando-se como uma promessa de um futuro não muito distante”, relata o jornal em sua edição de terça-feira, dia 8 de fevereiro. O jogador também esbanjava confiança: “A minha chance de jogar entre os titulares surgiu e eu soube aproveitar de todas as maneiras. Com o tempo a gente vai adquirindo aquela confiança necessária a todo jogador profissional. Estou satisfeito no Coritiba e espero continuar como titular em muitas partidas. Vou lutar e ajudar o Coritiba a ser bicampeão”. Conversa de boleiro tarimbado.

O garoto era bom. Mas não era só a torcida do Coritiba que estava de olho em Dirceu. Em pouco tempo, o seu futebol chamou a atenção do técnico da seleção olímpica, Antoninho, que foi conferir em campo naquele Atletiba se era tudo o que falavam. E ele saiu com a seguinte impressão: “O garoto é bom de fato e terá seu nome relacionado para a seleção do Brasil”. O presidente do Coritiba, Evangelino Neves tentou correr para segurar o jovem talento. Dirceu era amador e Evangelino temia que a excessiva valorização do ponteiro fizesse o Coritiba perdê-lo antes do tempo para rivais poderosos de Rio e São Paulo. A ideia era registrá-lo o quanto antes na Confederação Brasileira de Desportos.

Mas já era tarde. Antoninho soube e abortou a tática do velho dirigente. E se Evangelino fizesse cara feia, Antoninho tinha um forte aumento: “Existe uma circular da CBD, que o jogador convocado para a Seleção de Amadores do Brasil, não pode ser profissionalizado até segunda ordem”. O Coritiba não podia fazer nada. Dirceu foi convocado, jogou as Olimpíadas, chamou atenção de todo mundo e em pouco tempo deixou o Coritiba.

Despedida

A despedida de Dirceu dos campos de futebol aconteceu em junho de 1995 no Estádio Asteca tomado por 50 mil pessoas que queriam vê-lo jogando pela última vez. A partida contou com a presença de seus amigos Zico e Roberto Dinamite.

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