No dia 19 de março de 1962, mesmo adoentado, o meia-direita Pedrinho participou do jogo do Atlético contra o Ferroviário válido pela Copa Tribuna de Juvenis, uma das principais competições do gênero no estado. Seis dias depois o técnico do time titular, João Lima, chamou Pedrinho para participar de um amistoso contra o Flamengo, na Vila Capanema, num domingo. Mengão que vinha com sua principal formação. O resultado foi surpreendente: o Furacão venceu por 3×2. A partida foi considerada emocionante, o placar foi construído no primeiro tempo, no qual todo o espetáculo se desenvolveu porque o segundo tempo foi comprometido pelo aguaceiro que caiu no estádio e na cidade.

O primeiro gol surgiu aos 8 minutos. E foi do Flamengo. Henrique cobrou falta, a bola fez curva “sob o olhar perplexo de Waldomiro”, como atestou a Tribuna no dia seguinte, e foi para os fundos das redes. Bazzoti empatou aos 10 minutos depois de receber passe de Nininho. O mesmo Bazzoti fez o segundo do Atlético numa jogada pessoal: ele chutou forte e o goleiro Mauro não pegou. Aos 29 minutos Dida empatou para o Flamengo. E aos 32 minutos, Ícaro avançou, chutou e a bola sobrou para Pedrinho escorar para o fundo das redes. “Eu me recordo como hoje. Esta foi a minha primeira partida num time profissional. Este foi o meu primeiro gol jogando como profissional”, confessa ele hoje, aos 71 anos. Na época ele tinha 18 anos e era uma das promessas do rubro-negro paranaense.

“Eu comecei a jogar futebol com os amigos do bairro. Por volta de 1957 um diretor do Atlético resolveu fazer um campeonato com os times de garotos da cidade. Só que a gente não sabia que tinha olheiro observando. Apareceram times de toda a cidade. Eram jogos rápidos. Com dez minutos para cada lado. Nós formamos um time chamado Asa Futebol Clube, ganhamos as duas primeiras partidas e perdemos a terceira e caímos fora. Mas um olheiro me chamou para treinar no Atlético. E foi assim que eu comecei nas categorias de base”, conta Pedrinho. Os garotos selecionados por esta ‘peneirada’ disfarçada renderam bela geração. “Entre os garotos selecionados ficaram eu, Amauri, Renatinho, Alfredo Gottardi, Adilson e outros”, diz Pedrinho.

Foi uma geração que marcou a história rubro-negra por um motivo: “Até então o Atlético não tinha sido campeão juvenil. E nós fomos bicampeões. Campeão em 1961 e 1962 e em 1961, campeão da Copa Tribuna”. Pedrinho fez a estreia no profissional naquele jogo contra o Flamengo. Fez ainda um amistoso contra o Internacional no dia 29 de março e depois voltou para o time juvenil. “No entanto, em 1962, o Geraldo Damasceno assumiu o Atlético e levou toda este pessoal do juvenil para o profissional. Tinha o Marco Aurélio, goleiro que depois foi para o Flamengo, antes de mim. E foi assim que eu virei profissional”, diz. Pedrinho ficou no Atlético sete anos, dois anos aproximadamente como profissional porque foi vendido para o Flamengo.

“Tinha um diretor no Flamengo chamado Agustín Valido (ex-jogador), que era argentino e tinha negócios no Paraná e sempre estava aqui. Aí, no final de 1964, o Júlio Gomel, que era médico do Atlético, disse para ele: tem uns garotos muito bons aqui. Valido não tinha como conferir e disse: então mande os piás para o Rio. Nós fomos. Isto foi no começo de 1965. O time principal do Flamengo tinha ido para o Peru e eu fiquei 15 dias treinando e jogando no time misto. Nunca treinei tanto e joguei tanto na minha vida. Quando terminou o período, o Valido disse: vai para Curitiba, acerta tuas coisas e volta. O Amauri agradou, mas não quis voltar. Só que aí o Atlético achou que o pessoal do Flamengo não ia pagar e ficou aquele negócio. Mas o Valido ligou querendo saber se eu ia. Aí o Atlético negociou e eu fui”, diz ele. Quando Pedrinho chegou, ele ficou treinando no time aspirante. “Eu fiquei treinando, recebia bicho, estava bem, até que um dia naquele mesmo ano surgiu uma chance. Numa partida contra o Bangu. E foi aí que eu virei titular do Flamengo”, conta ele. Pedrinho, como Pe,dro Wabesky era conhecido desde criança, estava com 21 anos.