O Palestra Itália Futebol Clube não teve a sorte de virar um grande clube nacional, como seus irmãos de São Paulo e Minas Gerais – Palmeiras e Cruzeiro -, mas o time verde e branco (a princípio usou as cores da Azurra, azul e branco) paranaense fez história. Tanto que foi campeão estadual em três ocasiões (1924, 1926 e 1932) além de vice em duas outras (1921 e 1952). Assim como os seus irmãos, cedeu jogadores para a Seleção Brasileira e sofreu pressões do governo brasileiro em 1942 para mudar o nome, por conta da Segunda Guerra Mundial – o Brasil ficou com os aliados, contra Alemanha, Itália e Japão.

A história deste clube começou no dia 7 de janeiro de 1921, quando o superintendente do Banco Francês e Italiano em Curitiba, Ângelo Gorla, se reuniu com Benedicto Gian Paoli, Afonso Prisco, Atílio Menolli, Davi Bartolomei e outros descendentes de italianos na Sociedade Dante Alighieri de Curitiba para fundar o time da colônia – assim como ocorreu em São Paulo, em 1914, e no ano de 1921 em Belo Horizonte.

O Palestra nasceu para apavorar. No primeiro ano, o time trouxe nove jogadores de São Paulo. Apenas dois eram de Curitiba: o goleiro Hermógenes Bartolomei (que veio a ser um dos maiores guarda valas do futebol paranaense) e um italiano do Portão chamado Martelo. O Palestra peitou os melhores times em seu primeiro ano e terminou na ponta da tabela junto com a maior força futebolística da época: o Britânia. A decisão de quem seria campeão foi levada para o campo do bar Carola, no Juvevê, e o Britânia fez valer a sua experiência – meteu 6 x 0 e levou o caneco. Mas o Palestra não desistiu e três anos depois seria campeão.

Os números conspiram para dar ao Palestra Itália um lugar especial na história do futebol profissional do Paraná. O time palestrino é detentor das duas maiores goleadas registradas no campeonato estadual, história que começa em 1915, quando o Internacional foi campeão e o Paraná Sport Club vice. O time conhecido pelo grito de guerra “Nem que Morra” atropelou o Paranaense por 16 x 0 e passou por cima do Aquidaban por 15 x 2, ambas na temporada de 1931.

Na Seleção

Além destes números relevantes, o time dos italianos cravou o artilheiro da competição em cinco ocasiões: 1924 (Canhoto, 13 gols), 1927 (Canhoto, 8 gols), 1930 (Gabardinho, 10 gols), 1931 (Gabardinho, 28 gols) e em 1939 (Mário, 9 gols). Em 1921, o goleiro Hermógenes (do Palestra Itália e da Seleção Paranaense) foi convocado pela Confederação Brasileira de Desportos para integrar o escrete nacional que ia disputar o Campeonato Sul-americano. Por um motivo não esclarecido, ele acabou não indo. Mas foi chamado.

Outro jogador que passou pelo Palestra Itália e vestiu a camisa da Seleção Brasileira foi o atacante Manoel Pereira, em 1956. Conhecido como o Leônidas do Paraná, Manoel, que jogou seis partidas pelo escrete brasileiro quando envergava a jaqueta do América Futebol Clube, do Rio de Janeiro.

Mas nada se compara a Rodolpho Patesko, que deixou os campos do Palestra Itália para ser um craque de renome nacional e internacional – disputou a Copa do Mundo de 1928, com a camisa do Brasil e jogou no Nacional do Uruguai. Ele disputou 34 partidas pela Seleção, somando 20 vitórias, 5 empates, 9 derrotas e marcou 11 gols. Patesko, cujo verdadeiro nome era Rodolfo Barteczko, descendente de poloneses, nascido em Curitiba, jogou dois anos no Palestra e foi considerado um dos mais completos ponta-esquerdas do futebol brasileiro na sua época. Ofensivo, bom driblador e finalizador, foi o grande nome do “Nem que Morra”.