Foi um clássico que ficou registrado na memória. Na tarde de 11 de abril de 1971, o Atlético enfrentava no estádio Belfort Duarte o rival Ferroviário, num dos últimos CAF-CAP. O Atlético até aquele momento liderava o campeonato estadual de forma invicta. O Boca Negra ia para cima e o Atlético se defendia. Atrás do gol atleticano na entrada do estádio, o supervisor Hélio Alves berrava para o time ir para o ataque. O professor Carrilho pedia para o Atlético ser ofensivo. Na arquibancada os torcedores nervosos pediam para o Atlético fazer o gol. E no banco de reserva, o técnico Djalma Santos não parava de pedir para o time ser mais agressivo. Mas o gol não saia. E a partida estava indo para os quinze minutos finais.

Aos 29 minutos do segundo tempo, Bira do Ferroviário se animou e foi para o ataque, desguarnecendo a retaguarda, que não teve cobertura de Zequinha e Álvaro. Natálio não pode fazer o serviço porque estava com a missão de não largar Sérgio Lopes um minuto, o que ele fez durante o jogo inteiro. Era ordem do técnico Bauer. Mas aí veio o contra-ataque atleticano no espaço deixado por Bira em suas costas. O meio-campo Valtinho recebeu e avançou. “Valtinho era um meia-esquerda muito bom. Um neguinho sério e habilidoso”, relembra Nilson Borges.

Valtinho olhou para o lado e Zinho pediu a bola. Mas o meia teve cabeça fria para pensar e em vez de passar para Zinho, ele preferiu dar um leve toque para Nilson Borges que vinha em velocidade no outro lado. O ponteiro tocou duas vezes na bola, entrou na pequena área e enfiou um chute potente. A bola envolveu o goleiro Roberto e ganhou a parte superior do gol do Ferroviário. Um a zero. Aos 30 minutos do segundo tempo.

Enquanto o juiz Eraldo Palmerini apontava o centro do gramado, os jogadores comemoravam, a torcida vibrava e o técnico respirava aliviado. O Atlético continuava líder invicto. No entanto, esta partida entrou para a história como uma das inesquecíveis na carreira de Nilson Borges por um motivo curioso. “No dia seguinte eu recebi a visita da mãe de um garoto que estava no estádio. Ela disse que ele não falava. Então na hora em que eu meti um sem pulo lá na gaveta, na hora do gol, ela disse que o guri ficou tão emocionado com o gol que ele gritou gol e voltou a falar. E ela foi lá me agradecer. Eu fiquei assustado com aquilo. Eu disse para ela que eu fiz o gol pensando em ajudar o meu time. Na época, até vieram fazer uma matéria comigo”, contou Nilson Borges depois. Ao final do jogo, o ponteiro foi considerado “o melhor entre todos no Belfort Duarte”.