Aquele jogo contra o Boca foi inesquecível. Mas a torcida atleticana certamente elegeria outra partida como memorável. Uma partida que o atacante considera uma de suas melhores performances no futebol. Talvez a melhor com a camisa do Atlético. Ela aconteceu curiosamente quase um mês antes no mesmo estádio Belfort Duarte. Em outro clássico. Mais exatamente no dia 14 de março de 1971, domingo, em uma das maiores vitórias de todos os tempos do Atlético sobre o Coritiba. Mais uma vez Valtinho se destacou – embora, na saída do gramado, Sicupira tratasse de relativizar as coisas: “Todo mundo jogou bem”.

No entanto, aquele dia Nilson Borges deixou os nervos da torcida atleticana em frangalhos. Para o bem e para mal. Foi servido um verdadeiro banquete de emoções para os 30 mil torcedores. E tudo começou aos 20 minutos do primeiro tempo quando Lucas de cabeça abriu contagem para o Coritiba, depois de um chute de Rinaldo. Emoção na arquibancada. Para a torcida do Coxa. Quatro minutos depois, Sicupira foi derrubado por Nico dentro da área. O juiz Eraldo Palmerini marcou pênalti. Nilson Borges foi para a cobrança. Ele chutou forte, a bola bateu no travessão e foi para fora. Célio olhou a bola ir embora. A torcida coxa vibrou e a atleticana engoliu em seco. Errar pênalti não é nada agradável. Mas num Atletiba é imperdoável. Entretanto, o jogo estava apenas no começo. Três minutos depois, aos 27 minutos, Nilson Borges marcou para o Atlético. O juiz anulou. “Aquilo foi uma brincadeira do Eraldo Palmerini. Eu subi, disputei a bola com o Hermes, fiquei com ela e chutei para o gol. Ele deu falta minha em cima do Hermes. Até o Hermes riu daquilo. Eu disse para o juiz, você está de brincadeira”, conta Nilson sobre o episódio.

Mas o jogo continuou e a coisa ficou feia para o Atlético quando aos 29 minutos Passarinho ampliou: 2×0 para o Coritiba e a impressão de que o time do Alto da Glória iria golear o seu maior rival. A torcida alviverde fazia festa na arquibancada. Mais uma vez Nilson Borges apareceu na partida. Agora para dar alegria para a torcida atleticana. Aos 39 minutos, ele tabelou com Sicupira, que diminuiu para 2×1. E, como um milagre, outra vez o ponteiro apareceu. Aos 45 minutos. Nilson Borges chutou de fora da área. Valtinho fez o corta luz e deixou a bola passar. Empate no final de um primeiro tempo que parecia condenado a ser amargo para o rubro-negro. A sorte começou a virar.

Os jogadores foram para o intervalo com a expectativa de que o segundo tempo seria emocionante. E foi. O Atlético era dirigido por Djalma Santos, que anunciou: “Vamos voltar com o mesmo time”. A segunda etapa teve emoções logo no primeiro minuto quando Valtinho mandou uma bomba para o gol de Célio. Era defensável, mas a bola entrou. Assim como a sorte, o jogo virou. Para o Atlético. E o estádio pegou fogo. O Atlético cresceu em campo e a torcida atleticana na arquibancada. Aos 34 minutos, Amauri desceu, cruzou para Sérgio Lopes que não pegou. Nilson Borges escorou de cabeça para fazer 4×2. O Coxa tentou ir para o abafa. Paulo Vecchio entrou para reforçar o ataque e ainda fez o terceiro gol aos 39 minutos do segundo tempo. Mas ficou nisso. No dia seguinte a Tribuna estampou: “Foi sensacional!”. Foi a maior atuação de Nilson Borges num Atletiba e um de seus maiores jogos no Atlético.