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Lendas Vivas

Morgenau tomou coragem e foi para o profissional em 1950

  • Por Edilson Pereira

O Bloco Esportivo Morgenau foi exemplo vivo da grande dúvida que ronda os dirigentes de equipes amadoras que sonham em profissionalizar um clube: melhor ser o primeiro entre os últimos ou o último entre os primeiros? Porque na história do futebol paranaense, o tricolor do Cristo Rei (vermelho, preto e branco) foi exatamente isto. Disputando categorias inferiores na capital paranaense, o Morgenau foi tricampeão (1942, 43 e 44) entre os aspirantes; bicampeão (1949 e 1959) na categoria principal dos clubes da suburbana. No entanto, ser o primeiro já estava ficando cansativo.

Por isso, o tricolor fundado em 23 de maio de 1932, e que mandava seus jogos amadores no campo da Rua Guarani (hoje Avenida Senador Souza Naves, sede da Sociedade Morgenau e à época conhecido como estádio Moysés Lupion) concluiu que chegara a hora de alçar voos mais altos e entrar no meio das feras (os times profissionais) e impor respeito. A entrada da nova equipe coincidiu com o fim das atividades futebolísticas da Sociedade União Juventus, do Batel, fundada em 3 de maio de 1898 – tradicional clube no futebol desde os anos 1930 e que tirou o time de campo para se dedicar às obras de sua sede social.

Quanto ao Bloco Morgenau, logo de cara ele percebeu que a investida na divisão de elite não seria um sonho. Na realidade, foi um pesadelo. Desde o começo o time se transformou num alvo fácil de ser batido, principalmente por sua base amadora. Perdia quase sempre e não era de pouco. Uma vocação que durou toda a sua história na divisão especial. E que, por ironia ou não, rendeu o apelido de “time simpático”.

Um grande vexame

Em sua primeira temporada no profissionalismo, em 1951, o time terminou em penúltimo na tabela da Zona Sul, atrás apenas do Britânia, que começava a decair. A estreia foi até boa – perdeu em maio só de 1 x 0 para o Coritiba. Porém, a última partida mostrou a vocação para levar goleada: foi derrotado em dezembro de 5 x 0 para o Água Verde. Nos dois anos seguintes (1953 e 1954), o Bloco Morgenau ficou em último.

Estes três primeiros anos deram o tom das campanhas do clube na divisão especial. Em 1955, o time deu uma melhorada: foi antepenúltimo. Mas no ano seguinte voltou ao penúltimo lugar, para, em 1958, ir de novo para o último lugar. No ano seguinte, ficou de novo em penúltimo. Posição que manteve em 1960, 1961 e 1962.

Em 1963, o clube melhorou uma posição e em 1964 foi o oitavo.

Depois desta sequência, o Bloco Morgenau achou bom não abusar da sorte e tirou o time de campo. Sua última partida foi disputada no dia 1.º de agosto de 1964 no estádio Joaquim Américo, contra o Atlético. Perdeu por 2 x 0.

Festa de gols

De acordo com o radialista José Domingos Borges Teixeira, o Bloco Morgenau, apesar de sua coleção de últimos e penúltimos lugares, tinha o apelido de “clube simpático”. Motivo: todo mundo adorava torcer para o tricolor, porque a moçada jogava na base do amor – era o espírito esportivo aplicado em sua plenitude, onde o importante é competir.

Às vezes, o Bloco Morgenau tinha por hábito surpreender os grandes times. Surpreender, no caso, era arrancar um empate inesperado. Mas na maioria dos jogos, o resultado terminava em goleada. A maior delas foi aplicada pelo Coxa, no dia 21 de junho de 1952: 11 x 0 no 1.º turno. O Bloco Morgenau figura na história do Coritiba como o time com o qual o Alviverde alcançou a maior média de gols: 3,68 por partida.

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