Jornal influente na capital paranaense naqueles anos 1930, o Diário da Tarde de 14 de agosto de 1936, sexta-feira, edição número 12.458, trazia duas publicações a respeito de Manoel Pavés Junior, o Manoelzinho, meia-direita que jogou no Britânia de 1928 a 1936. Manoelzinho estava treinando e se preparava para o jogo do último domingo contra o Savóia. Mas, acometido de uma enfermidade, morreu subitamente. Hoje, em sua cripta no Cemitério Municipal, a dez metros do cruzeiro, no lugar de cruz, de imagem de santo ou de anjo, repousa bem no alto o escudo de seu time: o Britânia. E logo abaixo a placa de bronze: “Ao Manoelzinho, homenagem do Britannia Sport Club”. E na lápide, em vez de foto com terno, ele com a camisa do Tigre.

Na primeira notícia no jornal, um comunicado fúnebre: “Verificou-se ontem nesta cidade o falecimento do Sr. Manoel Pavez Junior. O extinto era casado com a Exma. Sra. D. Regina Contrin Pavez e deixa na orfandade um filho menor. O seu sepultamento foi realizado hoje às 10 horas tendo saído o coche fúnebre da Rua Silva Jardim, para o Cemitério Municipal”.

Na segunda notícia, sob o título “O sport de luto”, uma homenagem no alto da página esportiva: “O sport da cidade cobriu-se ontem de luto, pela infausta notícia do passamento do querido e esforçado futeboler britânico, Manoelzinho. O finado, cuja presença no seio do quadro alvirrubro sempre foi notada com satisfação, era pelo seu valor esportivo e social, considerado nas rodas da cidade, que com pesar souberam de seu falecimento. Manoelzinho, a longo tempo militando no quadro da Praça Carlos Gomes, cobriu sempre o seu nome esportivo com as cores do pavilhão alvirrubro e por isso nunca poupou esforços como jogador dedicado no sentido de sua melhoria. Voltara agora a treinar e deveria aparecer na meia-direita do seu quadro no domingo último. Acometido por pertinaz moléstia, foi disso impossibilitado e ontem cerrou os olhos para o mundo. À família enlutada as nossas sinceras condolências”.

Manoelzinho levou para o outro mundo o seu amor pelo alvirrubro, como a corroborar o ditado atribuído ao escritor uruguaio Eduardo Galeano: o homem muda de país, muda de partido político, muda de mulher, mas nunca muda de time de futebol. O time do coração é para sempre.