O Paraná Clube fazia das tripas coração para segurar o empate sem gols contra o Grêmio na noite de 18 de setembro de 1992 em jogo pelas oitavas de final da Copa do Brasil, em Porto Alegre. O time estava sendo heroico: jogava fora de casa com nove jogadores porque dois paranistas – Balu e Servilio – foram expulsos aos 14 minutos da primeira etapa. Era questão de tempo para o tricolor gaúcho marcar o gol, mas o tempo passava e o gol não saía. E futebol tem uma máxima que é quase uma praga maldita: quem não faz, leva. Aos 34 minutos do segundo tempo surgiu falta para o Grêmio na lateral e o meia Juninho cobrou para a grande área. O goleiro Celso Cajuru pegou e repôs a bola rápido para o meia-direita Serginho, logo depois da grande área.

O meia-direita não entendeu aquilo. “Eu estava cansado. Quando o Celso me lançou a bola, eu fiquei irritado. Eu dominei a bola e queria passar, mas não tinha ninguém. Então eu resolvi ir para frente. Adoilson e Saulo não estavam por perto, porque puxaram a marcação para os lados. Eu fui para frente levando a bola pelo meio até a metade do campo”, conta Sergio Prestes da Silva, também conhecido por Serginho ou Serginho Cabeção, que, sem saber, estava começando a esboçar um dos gols mais bonitos da história do Paraná Clube. “Eu fui avançando, cheguei ao meio do campo e percebi que o goleiro Émerson estava saindo da área, mas não dava para chutar porque estava longe e nem tinha forças nas pernas para dar um chute longo. Mas aí, depois do meio campo, veio o Jandir e eu driblei e passei por mais um. Então eu vi o goleiro adiantado e arrisquei um chute por cobertura. Não deu outra. A bola entrou”, relembra Serginho.

Se o torcedor do Paraná Clube que viu o jogo pela televisão em Curitiba não acreditou no que acontecia no estádio Olímpico, imagine o torcedor do Grêmio, que estava com o grito de vitória entalado na garganta! “Eu sai correndo e não tinha forças para comemorar. Eu desabei na frente do banco de reservas do Grêmio e eles pensaram que eu estava provocando. Mas não era provocação. Eu simplesmente conseguia correr mais”, diz ele.

“Até hoje as pessoas me abordam na rua para falar deste gol. O mais curioso é que elas se lembram, além do gol, o que estavam fazendo na hora que eu marquei. Por tudo isto, este foi o gol mais relevante de minha carreira”, diz ele. E também foi um dos gols antológicos do Paraná Clube nos anos 90. A década em que o Tricolor era o time do Paraná que atropelava todos os outros. O time de Vila Capanema fez o mais difícil – ganhar fora.

E se esqueceu de fazer o mais fácil, ganhar no Pinheirão, na partida de volta. O tricolor gaúcho veio mordido e ganhou de virada a segunda partida na noite de 23 de outubro por 2×1 e ficou com a vaga para as quartas de final pelo critério de gols marcados fora de casa.

A eliminação não doeu mais para a torcida do Paraná porque aconteceu três meses e dez dias depois de o time de Vila Capanema conquistar o seu primeiro título nacional vencendo na Série B e garantir presença na elite do futebol brasileiro, na qual ficaria por vários anos. A partida disputada na noite de 13 de julho em Salvador terminou com vitória paranista por 1×0, gol de Saulo. Serginho era o capitão tricolor. Era a época de ouro do time tricolor, que dominou o cenário paranaense nos anos 90. E, para Serginho, foram dois anos e meio de títulos e alegrias.

Gol para sempre

Além de ser um gol plasticamente bonito, foi histórico: até aquele momento o Grêmio nunca havia perdido em casa uma partida pela Copa do Brasil. Era um total de 23 partidas e três anos de invencibilidade.

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