Se 1983 foi um ano para ser lembrado o resto da vida, o ano seguinte, 1984, foi um ano para Joel esquecer. Com um início de carreira profissional como foi o ano do bicampeonato, o mínimo que ele poderia esperar era alguma coisa boa: mas aconteceu exatamente o contrário. “Se 1983 foi o meu melhor ano da carreira, 1984 foi o pior. Nós fizemos no começo do ano um amistoso em Joinville. Ganhamos de 2 x 1. Eu já estava pensando que ia fazer um bom contrato, estas coisas. Mas na segunda-feira da semana seguinte ao amistoso em Joinville, fomos fazer exercícios. Um trabalho de velocidade. Aí, quando eu fui dar um pique, eu simplesmente travei. Não sei o que aconteceu. Eu fiquei travado. Tudo travado”, diz Joel. Foi o começo de uma agonia.

O que se pensava que fosse alguma contusão corriqueira se mostrou um caso misterioso que ninguém do departamento médico conseguia desvendar. “Naquela época não tinha ressonância magnética. E os médicos começaram a fazer exames. Para você ter uma ideia, eu fui parar até no Erasto Gaertner, para ver o que eu tinha. Eu fiz tantos exames por lá, que durante uns três anos eu fiquei com a parte traseira do quadril toda escura, como tivesse sido queimado. E nada aparecia. E, pior, eu não conseguia jogar”, diz ele. Joel foi levado até para o Rio de Janeiro para fazer exames. “E com a falta de exercícios, eu que pesava 71 quilos, em pouco tempo fiquei com 80 quilos. Sem contar que fiquei mais de sete meses sem jogar”, diz ele.

O problema desapareceu de maneira tão misteriosa quanto apareceu. “Um médico, cujo nome eu não me recordo, apareceu no Atlético e me disse: Joel, eu vejo que você está sofrendo. Vamos fazer o seguinte. Passe na minha clínica, eu sou médico e acupunturista”, conta Joel. Este médico era atleticano e tinha voltado da Europa. Ele me propôs: “Vamos fazer umas oito sessões para ver o que acontece”, narra Joel. “Como eu já tinha feito de tudo e nada deu certo, além de ninguém saber o que estava acontecendo, eu resolvi ir: não tinha nada a perder mesmo. O que eu não quis fazer foi antes disso, quando apareceu uma proposta para eu abrir a coluna e fazer uma operação de hérnia de disco. Um sujeito disse, vamos abrir para ver o que é que tem aí dentro. E eu disse, ninguém vai me abrir coisa nenhuma”, diz ele.

Então, até por falta de alternativa, ele resolveu ir ao tal médico para fazer as oito sessões de acupuntura. “Fui meio desacreditando na primeira, na segunda fui meio para ver no que dava e na terceira eu estava meio animado. Senti que alguma coisa estava melhorando. Depois da quarta sessão, a coisa melhorou muito mais e eu já estava treinando leve. Só sei que ao final de seis sessões, eu estava novinho em folha de novo. Foi uma coisa muito estranha. Não foi preciso nem fazer as oito sessões. O que foi aquilo eu não sei. Mas sei que tinha voltado a jogar futebol”, diz ele. De qualquer forma, o ano de 1984 tinha ido para o ralo.

O ano de 1985 reservou mais uma alegria para Joel. Ele foi autor de mais um gol contra o Coritiba no dia 22 de junho, no estádio Pinheirão, no antepenúltimo jogo do segundo turno da segunda fase do Campeonato Paranaense. “Eu recebi a bola de Renato Sá e finalizei com o pé direito”, diz ele. O Atlético depois empatou com o Apucarana em um gol no Norte do Estado e ganhou do Londrina por 3 x 0 na Baixada, conquistando o título daquele ano. A partir daí, a carreira de Joel entrou num ritmo oscilante, como uma montanha russa, alternando bons momentos em Santa Catarina, e sempre emprestado pelo Atlético. “Fui emprestado ao Figueirense e voltei em 1986 para o Atlético. No ano seguinte eu defendi o São Bento de Sorocaba, no Paulistão. Nosso time ficou em quinto lugar e eu marquei dez gols. Em 1988, o Marcílio Dias me levou de volta ao futebol catarinense, onde ficamos em terceiro lugar e eu fui o artilheiro do campeonato com 18 gols”, diz ele.

Batalha

O primeiro jogo da decisão de 1983 começou tão quente que aos 3 minutos, o juiz Valdir Festugato marcou uma falta para o Atlético. Falta cobrada, Joel subiu e mandou para dentro do gol. O juiz deu falta de ataque, Gardel e Heraldo foram para cima do atacante atleticano e armou-se o maior sururu. Rafael Camarota saiu do gol do Atlético, deu um pique até o meio de campo e deu uma voadora em cima do primeiro jogador do Coritiba que encontrou. Quando o jogador do Coritiba se levantou, Rafael já estava de volta ao seu gol.