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Craque Saulo, do Tricolor, conheceu o céu e o inferno

  • Por Edilson Pereira

Ele é, para uma parte expressiva da torcida, o maior jogador da história do Paraná Clube. Saulo da Fé de Freitas, natural de São Domingos do Prata-MG, nascido a 1º de agosto de 1967, estreou com a camisa tricolor no dia 13 de março de 1991, em Vila Capanema. Veio com 22 anos do Atlético Mineiro, com fama de matador, indicado pelo técnico Jair Pereira a Sérgio Ramirez. E não decepcionou. Mostrou as credenciais já na primeira partida contra o Criciúma, válida pela 8º rodada da Série B. Aos 33 minutos do segundo tempo Saulo marcou o primeiro gol do jogo que terminou com a vitória paranista por 2×1. Uma curiosidade: naquele ano o Criciúma seria campeão da Copa do Brasil.

Foi o primeiro de um total de 208 jogos com a camisa tricolor, entre os anos de 1991 e 1996, com algumas interrupções durante as quais defendeu o Guarani de Campinas e o Palmeiras, com o qual foi Campeão Brasileiro de 1993. Um título que repetiria em 1996 com a camisa do Grêmio de Porto Alegre e na Série B, com a camisa tricolor em 1992. Saulo ainda conquistou os títulos de campeão estadual em 1988 com o Atlético-MG e três paranaenses com a equipe de Vila Capanema – 1991, 1993 e 1996. Uma carreira cheia de vitórias e gols. Em 1992 ele foi artilheiro do Paranaense com 14 gols e da Série B do Brasileiro com 12 gols. “Eu fiz mais de 400 gols na carreira, era uma média de 40 gols por ano. Eu acho que nasci para fazer gols”, diz ele.

Claro que a conta registra as competições oficiais e também os amistosos. O clube pelo qual ele marcou mais gols foi o Paraná: 104 gols, uma média de 0,5 gol por partida, uma quantidade que o transformou em maior artilheiro de todos os tempos do tricolor de Vila Capanema. “Eu desconfio que não exista outro jogador na história do futebol paranaense que marcou tantos gols por um clube, quanto eu”, diz ele, sem falsa modéstia.

Jogador hábil, guerreiro, que enfrentava os zagueiros com muita explosão, velocidade, para ele não havia lance perdido. Ele escreveu a sua história no time de Vila Capanema com vitórias, gols e títulos. E foi laureado com o título de Tigre da Vila. “Este título eu fui conquistando aos poucos. Nas primeiras partidas eu tinha uma forma de comemorar os gols fazendo uma ginga com os ombros e o Carneiro Neto viu naquilo uma semelhança com o andar dos tigres e me deu este apelido que pegou”, conta Saulo. Em mais de uma centena de gols ele acha que uns cinco foram especiais. “Houve um pelo Campeonato Paranaense em 1992 que eu cai e mesmo caído e de costas eu virei e ainda fiz o gol. Não me lembro contra que clube, mas foi um do interior”, diz ele. E a partida mais importante da carreira, por tudo que ela representou e pelo clima que se criou em torno dela, foi a segunda da decisão do título da Série B em 1992. Foi uma campanha com 30 jogos, 13 vitórias, 15 empates e apenas duas derrotas. “Quando chegamos a Salvador, tinha até fila de velas, para o Vitória reverter o resultado. E nós acabamos ganhando a partida e o título. E eu fiz o gol e o time foi campeão”, diz ele. O que Saulo não conta, mas a torcida não esquece é que este gol foi simplesmente uma pintura: ele dominou a bola no meio campo, passou por um adversário, passou por dois, passou pelo terceiro e depois pelo quarto. Furou a defesa baiana e entrou na grande área e chutou sem defesa para o goleiro. Gol de craque. Gol de campeão.

Filosofia do artilheiro

Lineu Filho

“Centroavante não tem que marcar e nem tem que correr muito. Centroavante precisa apenas duas coisas: pensar e se posicionar bem”.

Dias tristes


Arquivo

Foram talvez os vinte dias mais tristes da carreira de Saulo no futebol. Talvez os mais tristes de sua carreira no Paraná Clube. O tricolor não ia bem das pernas no final do Campeonato Brasileiro de 2007 e chamaram o ídolo para tirar o time da zona de rebaixamento. Saulo foi com a esperança que o levou ao Tricolor na primeira experiência como técnico no Campeonato Brasileiro em 2003, quando tirou o time de situação complicada e o colocou na Copa Sul-Americana. Mas na segunda vez não deu certo. No dia 2 de dezembro de 2007, o tricolor perdeu por 3×0 para o Vasco da Gama em São Januário e selou o rebaixamento para a Série B, onde está até hoje, ao acumular 41 pontos e ficar com 19º lugar na tabela. E Saulo ficou marcado como o técnico do rebaixamento do clube. A queda não fez tanto barulho fora da Vila Capanema porque foi o ano em que o Corinthians também caiu. Só que o time paulista retornou à elite no ano seguinte.

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