Depois da partida no Maracanã que deu ao Coritiba o título de Campeão Brasileiro de 1985, na vitória nos pênaltis sobre o Bagu, os jogadores sabiam que não iam conseguir dormir até a manhã seguinte, quando pegariam, por volta das 9 horas, o avião de volta para Curitiba.

Um grupo de jogadores teve a seguinte ideia: pegar uma grana com o presidente do clube, Evangelino Costa Neves, que tinha fama de pão-duro, para ficar tomando cerveja em algum bar à beira mar até o sol aparecer.

O grupo era formado por Jairo, Lela, Toby, Vicente e Zé Carlos – alguns mais outros menos, mas todos negros. Era 2h30 da madrugada quando finalmente conseguiram arrancar uma grana do Evangelino, que resolveu enfiar a mão no bolso por conta do momento histórico.

Os cinco jogadores deixaram o hotel, foram para a rua e chamaram um táxi. Quando o taxista viu aqueles cinco negros fortes na calçada e com cara de felicidade, já ficou preocupado: alguma coisa tinha acontecido para eles ficarem todos faceiros. Os cinco entraram e o taxi ficou cheio. Jairo disse: “Não foi fácil a gente arrancar a grana daquele velho, hein? Mas conseguimos tirar o dinheiro dele”.

O motorista olhou para o Jairo e aí sim que ele ficou cabreiro. No mínimo pensou que os cinco tinham assaltado algum turista velhinho que estava dando bobeira nas proximidades. E o motorista ficou ainda mais preocupado quando alguém completou: “Quinhentão para cada um. Uma boa grana”.

Antes que o taxista parasse o carro e saísse correndo, Jairo explicou: “Fica sossegado rapaz, acabamos de ser campeões brasileiros pelo Coritiba e estamos saindo para comemorar. Só assim para a gente arrancar um trocado daquele velho pão-duro que é o presidente do nosso time”.

O grupo ficou ali no calçadão da praia tomando cerveja até 6 horas da manhã. E depois saiu correndo para chegar ao hotel a tempo de se integrar à delegação para pegar o avião de volta para Curitiba.