“Sorte é para quem tem”, dizia a Tribuna do dia 5 de novembro, segunda-feira, depois da emocionante rodada de fim de semana da Copa Brasil, que era o nome do Brasileirão naquele ano de 1979. A situação do Coritiba era uma calamidade, com o técnico Tim mandando dois cobras da equipe, Aladim e Gilson Paulino, treinar no time reserva antes de uma partida decisiva contra o América-RJ. Além disso, o meia De Rosis queria cair fora. Com este clima, o Coxa foi para o Rio precisando empatar no sábado para se classificar para a segunda fase da competição. Mas o Coxa levou de 3×0 do América.

O Coxa, agora, dependia que o Atlético despachasse o Figueirense – mas o rubro-negro perdeu de 1×0 em Florianópolis. Foi aí que a sorte entrou na jogada: o Santa Cruz empatou com o Rio Branco e o Nacional perdeu para o Vila Nova e uma tal de vaga biônica caiu no colo do Coxa. A Tribuna deu de manchete: “Coxa salvo pelo gongo”. O alviverde estava na segunda fase. Estrearia contra o Brasil de Pelotas. Mas o ambiente era péssimo. Tim ficou em Rio das Ostras, De Rosis foi para Santos e quando os dois chegaram em Curitiba foi para pedir demissão.

Tim alegou: “Não tenho mais condições e ambiente para dirigir o time”. E pediu o boné. Ficou na cidade apenas para receber os atrasados. A batata quente caiu nas mãos de Kruger, que dirigiu o time em Pelotas – vitória coxa por 1×0. Enquanto isso acontecia, o presidente Evangelino Neves se reuniu no Alto da Glória com Borba Filho que tinha voltado do exterior e estava na cidade. E os dois acertaram que o Coritiba teria um novo técnico até o fim do ano, para o que desse e viesse.

“Na minha apresentação, quem estava no vestiário era o Tim, que pediu aos jogadores para me dar apoio. O Tim sempre foi muito correto comigo e também era meu amigo”, conta Borba Filho. A sua estreia não poderia ser melhor. Foi no dia 12 de novembro, contra o Mixto. O Coxa meteu 5×0 no primeiro tempo, o primeiro gol aos 25 segundos de jogo. Não poderia ter começo melhor na nova fase, para o time e para o técnico.

Aí o Coxa desembestou: ganhou de Atlético-MG, Colorado e Francana, e empatou com o América no Rio. No último jogo da fase meteu 1×0 no Campinense lá na Paraíba. Resultado: classificado. Na fase seguinte, o Coxa passou pelo Vitória, empatou com o Guarani e passou pelo XV de Piracicaba. Resultado: estava na semifinal.

O Coxa empatou com o Vasco em um gol em Curitiba e perdeu por 2×1 no Maracanã, no dia 16 de dezembro – e Borba jura que o time foi surrupiado pelo juiz Roberto Nunes Morgado, o “Pantera Cor-de-Rosa”. Os gols do Vasco marcados por Paulinho e Roberto Dinamite foram em impedimento.

O Coxa ainda chegou a empatar com um gol de Gardel aos 22 minutos, escorando cruzamento de Aladim, depois que este cobrou escanteio e ainda pegou rebote do goleiro Leão. No segundo tempo só deu Vasco e Mazarópi foi o melhor homem em campo. O Vasco estava na finalíssima, mas perdeu para o campeão invicto Internacional. E o Coritiba tinha conquistado sua melhor posição até então num Brasileiro. Ficou entre os quatro melhores. Borba Filho tinha cumprido o trabalho: em aproximadamente um mês tirou o time de uma situação de descontrole e quase eliminado precocemente e o colocou na semifinal da Copa Brasil, uma verdadeira maratona com 94 clubes e 583 jogos.

“A história do nosso futebol está com mais uma página escrita e nela consta o nome do Coritiba. Como um dos melhores. O quarto dentre tantos”, disse o técnico ao final daquela partida. No começo de janeiro a Tribuna fez uma escolha dos melhores do ano de 1979 e Borba Filho era o técnico do ano, porque “conseguiu recuperar o time em menos de um mês e o colocou entre os quatro melhores do Brasil”. No entanto, no ano seguinte, com nova diretoria, o Coxa contratou outro treinador: Mário Juliato.

Rodagem

Borba Filho é um dos técnicos que mais clubes paranaenses dirigiu. Ele começou no juvenil do Coritiba e como profissional no Londrina. ‘Só ,no Coritiba, estive sete vezes‘, contabiliza.