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Caju fez tudo certo para virar um mito do futebol do Paraná

  • Por Edilson Pereira

Não basta ser um grande jogador. É preciso mostrar atitude na hora certa, da forma certa, que não tem erro. Caju foi bom goleiro e mostrou ser diferenciado, assim como seu colega de seleção paranaense e adversário de clube, o zagueiro Fedato, do Coritiba. Tudo conspirou para Caju se transformar no maior ídolo de todos os tempos do Clube Atlético Paranaense – e numa das maiores lendas do futebol do Estado. Caju foi campeão seis vezes no Furacão, representou a seleção do Paraná e foi convocado para a seleção brasileira.

O fato de ele nunca ter saído do Atlético e recusado ofertas tentadores de clubes do Rio de Janeiro e do Uruguai, onde poderia ganhar publicidade maior, deu a ele o prejuízo de ser pouco conhecido fora do Paraná. Mas, em compensação, fez dele um ídolo do futebol do Estado. Que, para ele, era o que contava. Para ter ideia das tentações que o cercaram, para não perdê-lo para o Flamengo, desportistas fizeram uma lista e deram a Caju Cr$ 20,00 de prêmio. O Vasco cobriu a gentileza e ofereceu dez vezes mais de luvas, além de ordenado de Cr$ 80,00 – que era muita grana. Ainda assim ficou no seu clube.

Outro fator que contribuiu para Caju virar uma lenda foi a família. O irmão Alberto foi grande goleiro do rubro-negro, a quem Caju sucedeu, e o filho Alfredo, que começou jogando no ataque, virou um dos maiores zagueiros do Rubro-Negro. Três ídolos de um clube em uma só família não nascem todos os dias. Sem contar que ainda havia Celso, filho de Caju, que também jogou no Atlético. Depois de abandonar os gramados, ele continuou no Atlético e fez parte da comissão técnica que levou o clube ao título estadual em 1958. Ele colecionou particularidades que reforçam ainda mais a criação de uma mitologia. Por exemplo, ele e o irmão Alberto trabalharam pessoalmente na construção do alambrado do estádio Joaquim Américo e, depois, do muro ao redor do campo.

Os dois – Alberto e Caju – aparavam pessoalmente, com a ajuda dos filhos, a grama do estádio e se chovesse, eles levavam as chaves do estádio para casa, para não ter jogo e não estragar o campo. Por esta razão, algumas vezes os jogos do Atlético foram cancelados porque os times – e a torcida – não conseguiam entrar no Joaquim Américo para jogar. Por tudo isto, Caju batiza o CT do Atlético, que nesta Copa será utilizado pela Espanha, campeã mundial. Um detalhe: Caju jogou pelo Brasil em 1942 e voltaria a ser convocado em 1945, mas foi desligado por razões nunca devidamente esclarecidas.

Arquivo

Vida

Além de trabalhar no Atlético, Caju também trabalhou na Casa Nickel e na Secretaria de Saúde do Paraná, onde exerceu o cargo de Diretor do Departamento Administrativo. Caju morreu em 2001.

Sorte

Pênalti contra o Atlético. Seus torcedores, entre temerosos e confiantes, falavam baixinho um nome: Caju. A bola era colocada na marca. O juiz ordenava a cobrança. A bola era chutada com maior violência, mas ele saltava como um gato e ia buscá-la onde estivesse. Aí a torcida atleticana desafogava a angustia: “Caju, Caju, Caju”. Durante os dezessete anos em que pegou no gol do Atlético, Caju conseguiu coisas tão difíceis como defender até dois pênaltis num jogo. Há torcedores que garantem que ele chegou a pegar três. Caju não diz que sim, não diz que não. Confirmava que pegou muitos pênaltis em sua carreira e dava uma explicação: “Sorte. Eu sempre contei com a sorte”.

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